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quinta-feira, 11 de junho de 2015

Clarice: uma vida que se conta - Resenha do Livro

"Escrever é tantas vezes lembrar-se do que nunca existiu. Como conseguirei saber do que nem mesmo sei? assim: como se lembrasse. Com um esforço de "memória", como se eu nunca tivesse nascido. Nunca nasci, nunca vivi: mas eu me lembro e a lembrança é em carne viva."
Clarice Lispector

O que dizer primeiro do fascinante livro “Clarice: uma vida que se conta” escrito por Nádia Battela Gotlib e publicado pela Edusp?
Através desse livro, conheci o universo da grande escritora Clarice Lispector. A autora Nádia soube criar uma atmosfera envolvente e ao mesmo tempo confusa sobre Clarice Lispector. Narrativas bibliográficas se cruzam com as considerações críticas sobre a obra de Clarice. Temos em mãos um livro onde se encontra um profundo diálogo entre história e ficção.
Nádia soube nos mostrar que Clarice é muito confusa em algumas obras. Porém, esse aspecto confuso não é um defeito. Existem muitos escritores que geram confusão pelo fato de não estarem amadurecidos na escrita. Tais escritores tentam explicar e não conseguem. A confusão dentro da obra desses escritores é sinal de falta de habilidade. Em Clarice, notamos que a confusão é um dom natural. Ela gera confusão de maneira proposital. A autora não se preocupa com o entendimento do fato. O seu objetivo é descrever sensações.
Ao ler esse livro e ter contato com fragmentos da obra de Clarice, fui dominado por um turbilhão de emoções. Percebi que Clarice nem sempre é para entender, mas para sentir. Clarice provoca o prazer de ler. Quem deseja conhecer Clarice Lispector, deve deixar certos preconceitos de lado para poder mergulhar em seu universo. Deve eliminar aquela história de que livro bom deixa tudo claro e bem amarrado. Bons livros podem gerar confusão, desde que essa seja a proposta real do autor. Nada mais triste do que um autor que tenta explicar algo e não consegue. Confusão nesse caso é algo negativo. Porém, já vimos que Clarice parece gostar de ser um tanto hermética e obscura.
Não pensem que o livro é somente confusão. É claro que ele é permeado de alguns fatos claros. Gostei de saber que Clarice começou a escrever em sua infância e foi rejeitada. Pobre de quem rejeitou a autora! 
Amei saber que Clarice era pobre e não tinha condições de comprar livros e por isso tinha que pedir emprestado. Algumas pessoas não gostavam de lhe emprestar livros e colocavam obstáculos. Fico imaginando a cara de quem negou um livro para Clarice ou pôs obstáculos em sua leitura.
Fiquei super feliz, quando descobri que ela tinha um desejo enorme de ler “Reinações de Narizinho”, mas esse foi o livro negado. No entanto, ela lutou para conseguir ler a obra que era fruto de seu desejo.
Enfim, descobri uma Clarice profundamente humana e misterioso. O livro de Nádia Battela Gotlib me fez desejar conhecer mais a obra literária de Clarice Lispector para sentir todas as confusões de sentimento em minha alma.

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