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segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Entrevista com o Escritor Ricardo de Moura Faria

Devo confessar que, em alguns momentos,
os personagens é que escreviam e não eu
.
Recentemente, através do Facebook, tive a oportunidade de conhecer o escritor Ricardo de Moura Faria que já escreveu inúmeras obras didáticas e paradidáticas. Agora, ele está lançando o seu primeiro Romance "O Amor nos Tempos do AI-5".
Conheça um pouco de sua vida e veja a entrevista que realizei com ele.
Ricardo de Moura Faria é natural da cidade mineira de Dores do Indaiá. Reside, atualmente, em Belo Horizonte, onde trabalhou como professor de História por 35 anos e culminou sua jornada como Consultor da Assembléia Legislativa do Estado de Minas Gerais para as áreas de Educação e Cultura.
Escreveu, isoladamente ou com co-autores, mais de setenta obras didáticas e paradidáticas. Sua produção foi, inclusive, objeto de tese de doutoramento defendida por um ex-aluno. 
Por um tempo, foi também fotógrafo, tendo realizado quatro exposições, todas em Belo Horizonte. 
Aposentado, enveredou pelo ramo da literatura, com um projeto que germinava há mais de dez anos, agora publicado.

Entrevista
- Filósofo dos Livros: Como surgiu sua paixão pela leitura e o desejo de escrever um livro? 
- Ricardo: A paixão pelos livros surgiu desde cedo. Aos 13 anos eu já tinha lido “O Gênio do Cristianismo”, do Chateaubriand. Entendi pouca coisa, mas li. Ganhei o livro biográfico do Joaquim Nabuco, escrito pela filha, como prêmio ainda no curso Primário, tenho o livro até hoje! E, com o tempo, o interesse só aumentava, li muitos clássicos nacionais (Machado, Jorge Amado, José de Alencar, Fernando Sabino, Carlos Drummond, Manuel Bandeira). Poesia eu sempre gostei, mas nunca fui capaz de escrever. Já o desejo de escrever livros surgiu quase por acaso, mas estou falando de livros didáticos. Recebi um pedido para escrever pois uma editora estava em apuros devido a um infarto do autor que já havia começado uma coleção. Encarei e nunca mais parei. Hoje tenho cerca de 70 obras didáticas e paradidáticas publicadas, todas na área de História e uma na área de Educação Ambiental. Já o romance... foi uma ideia que surgiu há cerca de 15 anos. Imaginei o início e o final e não pensara no miolo. Só que tentar escrever um romance trabalhando e produzindo material didático (tudo pra ontem!) era impraticável. Então esperei chegar a aposentadoria para me dedicar inteiramente.

Escreva, jovem escritor, escreva!
Não existem temas proibidos! 
Olhe à sua volta, veja o mundo e
 escreva sobre ele. 

- Filósofo dos Livros: Quais são suas fontes de inspiração. Seus personagens são inspirados em pessoas reais? 
- Ricardo: Posso dizer que sim e ao mesmo tempo que não. Explico. O contexto do romance é o período relativamente recente, em que vivemos sob o AI-5. Na época eu era estudante universitário. Então, no romance, alguns personagens e ações guardam semelhança com colegas e professores. Algumas situações que eu próprio vivi, foram transpostas para alguns dos personagens. A história amorosa é absolutamente ficcional, não tem nada a ver com pessoas reais, mas seria perfeitamente possível, não podemos nos esquecer que a década de 1970 é herdeira dos loucos anos 60. 

- Filósofo dos Livros: O que atrapalha o processo de criação de um autor? 
- Ricardo: Por esta primeira experiência, eu diria que ele não pode ter prazo para concluir seu trabalho. Digo isso, comparando com a produção de livros didáticos, onde tudo é correria, os prazos são exíguos, há limitação de número de páginas e tantas outras coisas. Escrever romance é diferente. Exige concentração, exige tempo, sem isso a criação se torna impossível. 

- Filósofo dos Livros: Você tem algum ritual para começar a escrever? Costuma se isolar das pessoas para escrever? 
- Ricardo: Lembra daquele filme “A garota da praia”? O escritor, representado pelo Reginaldo Farias, se isola numa casa para escrever e não consegue ficar isolado devido à presença da garota com quem acaba se envolvendo. Penso que esse isolamento talvez fosse interessante, mas não me isolei, nem é possível se isolar vivendo numa capital. Em alguns momentos posso dizer que fiquei isolado, porque avancei noite adentro e todos na casa dormiam... rsss 

- Filósofo dos Livros: Inspiração é algo que acontece naturalmente ou o escritor tem o poder de criá-la? 
- Ricardo: Não posso, evidentemente, falar por todos os escritores, acredito que cada um tem seu método e pode ter a inspiração de variadas maneiras. Como eu já disse, eu tinha muito claro, desde o início, como o livro começaria e como terminaria. Mas o início e o final não passam de dez páginas... e o meio? O que aconteceria ali? Fui buscando na minha vida de estudante nos anos 1971 e 1972, algo que pudesse transpor para o romance, achei algumas coisas e comecei a desenvolver. Lembrei-me, também, de relações amorosas de amigos e amigas e consegui encaixar “o fio da meada”. Mas devo confessar – e ainda quero conversar com outros autores sobre isso – devo confessar que, em alguns momentos, os personagens é que escreviam, não era eu. As palavras saiam, a tela se enchia e eu tinha de parar e ler, para poder dar sequência, porque – estranho isso – parecia que não era eu que tinha escrito... 

- Filósofo dos Livros: Você tem algum escritor que te sirva como modelo? 
- Ricardo: Não, não tenho. Inclusive, quando bolei o título, fiz questão de não ler “O amor nos tempos do cólera”, para ter certeza de que não seria influenciado de forma alguma pelo autor. Agora pretendo ler... 

- Filósofo dos Livros: Você conhece escritores atuais que possuem obras maravilhosas, mas que não são reconhecidos por falta de divulgação? 
- Ricardo: Não, não conheço. Talvez por estar iniciando agora, não é? Acredito que irei conhecer muitos autores daqui pra frente, pode ser que aí eu tenha condição de responder a essa questão. Mas, com certeza, sem divulgação é impossível se tornar conhecido. E lamentavelmente, as editoras não gostam muito de autores “que não tem nome”. 

- Filósofo dos Livros: No Brasil, é possível que um escritor viva a partir dos seus livros ou ele é forçado a ter outra fonte de renda paralela? 
- Ricardo: Depende do livro. Há autores de livros didáticos que conseguem vender milhões de volumes para o governo. Estes conseguem viver dos livros, mas o mercado é de alta rotatividade, então não é algo duradouro. Acho que o Paulo Coelho é o único que vive de rendas de direitos autorais, o que diz muito sobre o que os leitores gostam de ler..

- Filósofo dos Livros: Que conselhos você daria para um futuro escritor que você não teve ao começar escrever? Que avisos você gostaria de ter recebido, mas não ocorreram? 
- Ricardo: Escreva, jovem escritor, escreva! Não existem temas proibidos! Olhe à sua volta, veja o mundo e escreva sobre ele. 

- Filósofo dos Livros: Fale-me um pouco sobre seus livros. 
- Ricardo: Bem, como já disse, meus livros eram livros didáticos de História para ensino fundamental e médio. Fora isso, publiquei uma “História de Minas Gerais” (co-autoria com Helena Campos), “As revoluções do século XX” (esgotado), “Da Guerra Fria à Nova Ordem Mundial” (co-autoria com Monica Liz), organizei um “Dicionário Ilustrado da Inconfidência Mineira” e reorganizei o livro esgotado, publicando-o com o nome de “Utopias do século XX”, publicado pelo Clube de Autores. Este romance (que terá uma continuação, já pronta, mas não enviada para editoras) tem, como sinopse: A trama se desenrola em Belo Horizonte, nos anos de 1971 e 1972. Um professor universitário, Afonso, casado com uma professora de ensino primário, Celina, envolve-se amorosamente com uma aluna, Haydée. Com conhecimento da esposa, o envolvimento transcorre e ela também é seduzida por um colega de trabalho, Toninho. Dois triângulos se formam, portanto e na tentativa de racionalizar o que ocorre, chega-se à conclusão de que essa liberdade amorosa, que quebra tabus, é consequência da repressão política em que se vivia no país naqueles anos de chumbo. 

- Filósofo dos Livros: Por fim, deixe uma mensagem para todos leitores que apreciam seu trabalho. 
- Ricardo: Espero que gostem bastante e, usando a linguagem da moda, que curtam e compartilhem” com seus amigos e conhecidos.

- Filósofo dos Livros: Muito obrigado pela entrevista. 
- Ricardo: Eu que agradeço pela oportunidade de divulgar meu trabalho.

Gostaram da entrevista? Deixe sua opinião nos comentários.
Para adquirir o romance "O Amor nos Tempos do AI-5", entre em contato com o autor, clicando aqui.

2 comentários:

  1. Cara, gostei!!! O Ricardo tem o estilão Paulo Coelho, rs.

    Ele é bom mesmo hein, inúmeros livros didáticos, nossa!!!

    E esse romance maravilhoso aí, hein? Já fiquei babando. Estarei na fila da frente quando for publicado.

    Desejo muito sucesso a ele e que seja muito reconhecido, pois...

    ''sem divulgação é impossível se tornar conhecido. E lamentavelmente, as editoras não gostam muito de autores “que não tem nome”.'', disse tudo!!

    Abraços.

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