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sábado, 20 de fevereiro de 2016

Entrevista com a Bela Escritora Letícia Godoy

Preparem-se para ler uma entrevista empolgante!
Olá Ilustres Leitores!!!
Tive a incomensurável alegria de conhecer a Bela Escritora Letícia Godoy através do Facebook. Li uma postagem onde ela perguntava se havia blogueiros interessados em ler o início de seu novo livro "Deixe-me Entrar", publicado pela Editora Arwen, para escrever as primeiras impressões a respeito de sua obra. Um forte sentimento tomou conta de mim e candidatei-me ao maravilhoso trabalho. Não tenho dúvidas de que foi uma das melhores coisas que ocorreu em minha vida. O livro de Letícia Godoy é mágico e traz uma bela mensagem. Vocês podem conferir o resultado de minhas primeiras impressões sobre seu livro, clicando aqui
Mas voltemos à temática daquilo que nos interessa, ou seja, o que me levou a não ficar apenas em um artigo falando sobre as minhas impressões sobre seu livro. Bem, meus queridos amigos, vocês vão ficar estupefatos com o trecho que compartilharei antes da nossa entrevista. A declaração encontrada nas páginas iniciais é empolgante e nos leva a refletir a respeito de coisas importantes.Vejamos:
"Este livro surgiu da necessidade de contar uma história que aconteceu comigo quando eu me aventurava pelo universo fake, no extinto Orkut de maneira figurada. Eu tinha apenas 15 anos quando decidi criar um perfil fake e experimentar aquilo que todas as minhas amigas diziam ser mágico. 
Inocência? Solidão? Um pouco dos dois, creio eu... E lá estava o meu perfil fake para conhecer novas pessoas e passar inúmeras horas longe do meu difícil mundo real. 
Talvez vocês estejam se perguntando o motivo para que eu desejasse fugir e eu vou lhes dizer. Eu tinha depressão.
Não é tão fácil assim admitir que você teve uma doença que até então só tinha ouvido falar, mas aconteceu comigo e eu devo lhes dizer que não é nada legal. A depressão te consome e quando você percebe, não há mais saída.
Tornei-me depressiva por causa de minha aparência."
Ao ler o testemunho acima, fiquei absurdamente comovido. Letícia Godoy falou em meu coração. A intuição fez o papel de responder por mim e suplicar-me: "Faça uma entrevista com ela, porque a garota pode ajudar muitas pessoas que passam pelo mesmo problema. Você tem a obrigação de fazer isso!". Minha intuição estava certa. Ao ler as respostas de Letícia que são grandes lições de vida, eu me comovi. Sei que me prolonguei demais em meu preâmbulo, porém é algo necessário para que vocês, meus ilustres leitores, tenham plena consciência de que a entrevista que se segue é uma dos mais belos testemunhos de superação. Leiam tudo com total zelo. Garanto que irão se emocionar. Tal entrevista não passará de forma indiferente, mas acarretará grandes mudanças no sentido de suas vidas. Confiram:

ENTREVISTA
- Filósofo dos Livros: Como surgiu o seu gosto pela leitura? 
- Letícia Godoy: Foi ainda na infância. Aprendi a ler e a escrever aos quatro anos de idade, tendo como primeira professora a minha mãe. Por não termos muitos vizinhos e eu era filha única até então, eu era uma criança bastante solitária e encontrei nos livros e nas palavras um refúgio. Depois veio minha irmã, a escola... Mas ainda me sentia assim então, digamos que ler, era e sempre vai ser, algo que me faz bem e não me deixa me sentir sozinha. 

- Filósofo dos Livros: Você tem algum escritor predileto? Qual e por que gosta dele? 
- Letícia Godoy: Tenho sim. É Machado de Assis. Não sei explicar o “porquê” de eu gostar tanto dele. Porém, li Dom Casmurro ainda com onze, doze anos e Memórias Póstumas de Brás Cubas logo em seguida, gostei tanto que parti para Quincas Borba e a filosofia deste livro “ao vencedor, as batatas” fez-me refletir tanto que sem sombra de dúvida Machado é meu ídolo. Gosto da forma como ele tem total controle da narrativa, a ponto de conversar com o seu leitor, dar uma pausa na história e chamar a nossa atenção. Acho isso fantástico! 

 - Filósofo dos Livros: No início de seu livro, você trata de um tema que aflige muitas pessoas: a depressão. Dentro disso, você fala/comenta que a causa era sua insatisfação com sua aparência. Fale um pouco sobre isso. 
- Letícia Godoy: Bem, desde pequena eu era considerada diferente. Entrei na pré-escola com 6 anos de idade. Não por eu ser atrasada, simplesmente por causa do dia do meu aniversário. A diretora do colégio não me deixou entrar com 4 e fazer 5 depois de iniciar as aulas. Tive de entrar com 5 e fazer 6 logo em seguida. Eu era a aluna mais alta da sala e também a mais pesada... Eles faziam piadinhas comigo, eram crianças de apenas 5 anos de idade e já conseguiam ser cruéis! Chamavam-me de “Sargentão” e um dia um dos garotos tapou a minha boca enquanto os outros pegavam minha massinha de modelar. É sério, se não fosse por algumas poucas crianças que se tornaram até mesmo companheiros de pré-adolescência, eu seria a criança mais solitária do mundo. Cresci com isso. Infelizmente, eu nunca fui magra. E ser magra é a lei. Na infância isso não fez diferença, afinal a nossa única disputa era ver quem era a mais inteligente e eu sempre, sempre tirava nota máxima em tudo. Porém, quando o corpo das meninas começou a mudar e elas começaram a ter “curvas”, a se vestir sensualmente e eu ainda continuava desengonçada, sem jeito algum... Então a coisa começou a me atingir. A minha inteligência de nada mais servia. Nas aulas de educação física os meninos aproveitavam para tirar uma casquinha das garotas e para tirar um sarrinho da minha cara. Uma vez a situação chegou a tanto que eu levei uma faca na mochila e prometi a mim mesma que eu iria atacar quando eles me atacassem, pois prometeram me linchar na porta da escola por eu ter corrigido a professora de português. Eu me senti perdida e para piorar, minha melhor amiga se mudou de cidade e eu fiquei sozinha. Não tinha mais minha defensora, minha primeira leitora e aquela para quem eu sempre ligava para contar tudo. E assim eu fui me retraindo cada vez mais. O peso aumentou. Eu me escondi. Não queria mais sair. E então eu descobri um refúgio. Lá eu podia ser magra e bonita. Lá a minha inteligência servia de algo. E foi assim que tudo começou. Passei de criança reprimida, adolescente solitária a uma pessoa com fobia social e com 15 anos eu jamais saia a noite. Nunca tive um namorado e minhas únicas amigas foram se afastando. Até hoje ainda é um pouco assim, mas eu já superei muitos dos meus traumas.

- Filósofo dos Livros: De certa maneira, podemos dizer que seu livro é fruto de uma fase ruim de sua vida que já foi superada? 
- Letícia Godoy: Digamos que estou nessa fase de superação. Não sou mais aquela garota que se escondia atrás de uma tela de computador. Não, eu não sou. Porém, ainda enfrento dias bem complicados, dias melancólicos e onde eu quero me afundar nos cobertores e não me levantar para nada. Então, digamos que escrever a série está sendo uma terapia. Eu me lembro das coisas que aconteceram, choro... Respiro fundo e coloco no “papel”, depois disso me sinto melhor e consigo apagar mais um trecho daquilo que foi intenso e transformar em algo bom. Espero, sinceramente, poder dizer daqui um tempo que essa fase foi TOTALMENTE superada. 

 - Filósofo dos Livros: Como você superou seus problemas com a depressão? O mundo fake foi uma ajuda? Você chegou a pensar em fazer algo ruim contra você mesma? 
- Letícia Godoy: Bem, o auxilio da minha família foi a coisa mais importante. Primeiro veio da parte do meu pai. Ele começou a me tirar de casa, a me levar com ele para o trabalho em e fazer passar mais tempo longe do computador, a falar com pessoas e ver que nem todas olhavam para mim e riam como eu pensava. Trabalhei com meu pai por muito tempo e foi ótimo, ficamos mais próximos e eu fui perdendo a vergonha de mim mesma. Mas acredite, uma pessoa com depressão, de fato, não admite que tem isso e quando me falaram em psicólogo... Terapia... E esse tipo de coisa, eu simplesmente pirei, disse que não queria, que não era “louca” e que estava tudo bem. Relutei por um tempo, mas a insistência da minha irmã, do meu irmão e de minha mãe que se habilitou a ir junto comigo, acabei indo na primeira sessão... Na segunda... E assim por diante. Acho que o apoio da família nessas horas é fundamental, então agora vou deixar um recadinho para os pais: por favor, observem mais os seus filhos! Coloquem limites, observem tudo. No começo achamos que estão sendo “caretas” e invasivos, mas depois agradecemos. A internet é um recurso poderoso e muito bom, porém também tem os seus prós e eles são muitos. Logo, tenho muito a agradecer aos meus pais e a minha família, eles me ajudaram e me sinto bem agora. Sobre o fake, por um tempo, na fase de negação, digamos assim, foi uma ajuda imensa. Como eu não tinha amigos, como eu ia para a escola e ninguém falava comigo e eu passava os intervalos dentro da sala de aula... Quando eu chegava em casa era mágico poder conversar com os “meus amigos”. As vezes eu amanhecia no computador. Não me orgulho em dizer isso hoje em dia. Foi bom? Foi, mas também foi ruim em muitos aspectos. Eu sofria todas as dores virtuais, como se fossem reais, e isso foi a minha perdição. Chorei muito quando o “meu namorado” fake me deixou, eu o amava tanto que doía de verdade e em nenhum momento eu duvidei de que aquilo pudesse ser real. Eu fazia plano de quando nos encontraríamos e esse tipo de coisa. Quando ele deletou a conta e eu entrei e só havia um quadradinho branco no lugar de sua foto... Sim, naquele momento eu percebi que estava tudo errado. Eu sofria por ele, eu chorava por ele e ele com apenas um clique no DELETAR, acabou com tudo. Então eu decidi continuar apenas pelos jogos, eles me faziam bem, exercitavam minha escrita e foi assim que eu fiquei por mais alguns anos jogando RPG online. Este namorado acabou voltando, tivemos inúmeras brigas e ainda nos falamos atualmente. Então, não sei dizer se o fake foi TOTALMENTE ruim, e nem se foi TOTALMENTE BOM, pois eu tive experiências lá que nunca tive em lugar algum. Sei que muitas pessoas passaram pelo mesmo que eu e acho que isso me deu coragem para escrever a respeito. Sobre fazer algo contra mim mesma... Prefiro não adentrar a este assunto, digamos que é pesado, mas a resposta é afirmativa. Hoje em dia agradeço aos Céus por ter sido covarde, ou bem... Eu não estaria aqui agora. 

 
Infelizmente, eu nunca fui magra. 
E ser magra é a lei.
- Filósofo dos Livros: Eu acho que você é uma moça muito bonita. Você se enxerga como uma garota bonita? Ou tem algum complexo? 
- Letícia Godoy: Primeiramente, obrigada! Eu não sei lidar muito bem com elogios, então... Nossa, estou realmente vermelha lendo isso! Mas voltando a sua pergunta, não... Eu não me considero bonita. Há coisas em mim que eu gosto. Somente isso. Eu me aceito, hoje em dia, mas está longe de eu me considerar bonita. Aí as pessoas me perguntam: por quê? Já fui muito rejeitada, já fui a garota que nunca teve namorado enquanto a irmã 5 anos mais nova teve vários. Já fui a garota que ouvia constantemente: a sua irmã é bonita, você é inteligente. Acostumei-me com isso... Há algo que uma pessoa me disse ainda na infância que me marcou muito. Ela olhou para as minhas bochechas e disse: você parece um cachorro buldogue. Gente, que espécie de pessoa diz isso para uma criança de 7 anos?! O pior de tudo é que essa pessoa é da minha família. Eu cresci com isso, houve uma época em que eu costumava morder as minhas bochechas internamente para ficar com o rosto mais fino... Acreditem, é horrível se olhar no espelho e se odiar. Isso me fazia ter compulsão e o peso subia... Nunca fui magra. Não sou magra e acho que esse padrão de beleza é meu pior complexo. Acredito que comecei a acordar para a vida quando minha irmã foi diagnosticada com anorexia. Pensei: poxa, eu tenho vários quilos a mais e ela está morrendo porque não consegue comer. O que eu quero para mim? Parei de forçar o vômito e decidi me aceitar, pois sim, até isso eu fiz para tentar chegar ao padrão manequim 38. Atualmente eu me aceito. Depois de muita briga, depois de chorar em algumas sessões de terapia ao repetir: eu sou linda, eu me amo. Acho que hoje eu realmente me amo, mas não pela minha aparência e sim por aquilo que eu sou.Talvez um dia eu consiga me amar mais, fisicamente falando, mas já não é mais a minha prioridade. Existem tantas pessoas “lindas” que não possuem conteúdo algum, então, por que vou pensar nisso? Eu sei conversar, eu tenho mãos, pernas e braços. Deus, eu sou perfeita! Então, por que me importar somente com a aparência? Não digo que me acho um ser abominável, mas não me acho linda. Acho que tenho tudo o que preciso para viver e isso é o que mais importa.

- Filósofo dos Livros: Você acredita que a pessoa tem que se achar bonita para ser feliz? Existe pessoa feia? Ela pode ser feliz com sua feiura, caso exista? 
- Letícia Godoy: Na verdade, eu acho que a pessoa tem que se aceitar para ser feliz. Eu posso achar alguém lindo, mas se ela não achar que ela é linda, então do que adianta o que eu acho? Ou as vezes a pessoa se acha demais e quando alguém não a acha bonita como ela se acha, sente-se mal. Não deve ser assim. Temos de nos aceitar e quando alguém nos elogiar, diremos: obrigada, sinceramente. Eu não acredito que exista pessoas feias. Cada um tem uma beleza, às vezes ela não está tão a olho nu assim, basta que nós estejamos dispostos a procurar. Então, a minha beleza é uma dessas que não está tão a olho nu assim. Eu sei ser uma pessoa agradável, de fala mansa, sei ouvir e aconselhar, sou uma pessoa boa... Isso não é ser bonito também? Para mim sim. Então, acredito que ela pode sim ser feliz com a sua “feiura”, porque não existe. Está só nas maneiras de se interpretar, de se aceitar e de se ver. A beleza de cada um é única e especial. Portanto: aceite-se!

- Filósofo dos Livros: Fale-me um pouco do seu livro. O que podemos encontrar de interessante nele? 
- Letícia Godoy: Hmm... Não consigo falar muito bem das minhas próprias coisas. Por que você não me ajuda? (risos) Acho que Deixe-me Entrar é um livro para você ler e relaxar. A capa pode até remeter a algo assustador, mas calma... Não é isso! É um livro que apesar de não se tratar apenas de “seres humanos”, ele fala muito dos seres humanos. As suas atitudes... Suas decisões. Eu gosto da mensagem que ele passa, de que você é uma pessoa única e não deve, de maneira alguma, tentar viver ao espelho de outra. Eu gosto de saber que em meu livro eu exploro o fato da amizade de verdade que vem de onde você menos espera e saber também que mostro que a família é a coisa mais importante que temos. Parece clichê, mas sem o apoio da nossa família, o que seria de nós? Apesar da família do livro não ser tão fácil de encontrar assim na vida real, ela tem suas contradições, seus conflitos, mas no fim, eles lutam pela mesma causa, para proteger uns aos outros e para ficarem sempre unidos, acho que isso é muito importante. As pessoas tem se esquecido disso. Deixe-me Entrar é isso. Pode não ser perfeito, mas me orgulho de ter tentado. 

 - Filósofo dos Livros: Pelo que eu entendi, você viveu nesse mundo fake. Parece que você assumiu a identidade da protagonista. O que ela tem de semelhante com você e o que tem de diferente? 
- Letícia Godoy: A inocência. Isso é o ponto auge onde somos parecidas. Na verdade, somos iguais! Julianne é doce, delicada, inocente... Pura. Acredita na bondade das pessoas, não consegue ver malícia. Tem medo de magoar quem está próximo e por este motivo abraça o mundo, mesmo que o seus braços não consigam dar conta de tudo isso. Eu fui muito assim. E ainda sou em alguns momentos. Isso rende muitos machucados e cicatrizes, mas não consigo ser diferente. Eu ainda acredito no ser humano e quando alguém me mostra ser o oposto daquilo que me deixou ver, eu sofro. Porém, não é por causa de uns que tenho de me tornar uma pessoa fria, certo? Hoje em dia sou mais esperta, tento não me envolver e não deixar que as pessoas entrem tão depressa em meu coração, mas ainda assim sofro. Sou sensível. Pode não parecer. Mas eu sou. Eu quero ajudar todo mundo e isso me faz tão mal... Também faz mal a Julianne. Nós sentimos a perda mais do que ninguém. Um ponto em que somos diferentes é que ela é irônica, engraçada. Eu não sou irônica, sou apenas engraçada em muitos momentos! Outra coisa: Julianne é popular, se é que me entendem. Eu não! (risos). 

- Filósofo dos Livros: Se você pudesse voltar ao passado e se encontrar consigo mesma nessa fase depressiva, o que você aconselharia para si mesma? 
- Letícia Godoy: Aceite que precisa de ajuda, primeiramente, e deixe que as pessoas te ajudem. Não lute. Não pense que está maluca só porque não consegue ter controle total sobre si mesma. Entenda que a vida é curta e viva cada dia como se fosse o último. 

- Filósofo dos Livros: Se alguma menina estiver passando pelo mesmo problema que você sofreu, você daria os conselhos ditos na pergunta anterior ou teria algo diferente para elas? 
- Letícia Godoy: Eu daria sim os mesmos conselhos e ainda acrescentaria: pare de drama sobre ser a esquisita que vai a um psicólogo, ou sei lá. Ninguém precisa saber. E tenha a plena de que isso vai fazer bem para você, não para os outros. As suas atitudes, quando estiver melhor, é que vai fazer bem para os outros! 

Você merece ser feliz!!!
- Filósofo dos Livros: O que você acha da ideia de escrever um livro contando tudo sobre seu passado para servir de exemplo para as pessoas? 
- Letícia Godoy: Não me sinto preparada para isso. Acho que exige muita coragem e acho que não a possuo. Já acho que me expus bastante ao querer publicar Deixe-me e fiquei apreensiva por vários e vários meses pensando, aceito, não aceito. Quando eu decidi mesmo, pensei: agora não tem mais volta e você vai ter que aguentar os tapas na cara! De certa forma estou lidando com isso agora e acho que tem que ser um passo de cada vez, talvez um dia... Mas não agora. 

- Filósofo dos Livros: Você seguiu algum ritual para escrever seus livros?
- Letícia Godoy: Não! Tenho vergonha de dizer, mas não sou disciplinada! Não sigo rituais, não escrevo roteiros... Gente, eu simplesmente escrevo quando dá vontade! Acho isso abominável de minha parte, já que muitos dos meus colegas escritores dizem fazer isso e isso e aquilo enquanto escrevem e aí eu penso: será que tem algum problema comigo? Eu nem sequer faço a ficha dos personagens! Eles simplesmente aparecem em minha mente e eu vou lá e escrevo. O único livro que tentei ser mais disciplinada e tive que fazer uma pesquisa realmente intensa foi Borborema. Por tratar de temas jurídicos e médicos, precisei fazer anotações, pedir opiniões e ler artigos científicos para entender do assunto. Mas estou tentando mudar. Quero ser mais disciplinada e escrever pelo menos um parágrafo por dia. Está aí, é uma meta que quero alcançar! (risos) 

- Filósofo dos Livros: Inspiração é algo que surge naturalmente ou o escritor tem o poder de criá-la? 
- Letícia Godoy: Olha, isso é muito difícil de responder! Não posso dizer por todos, mas por mim, não tenho o poder de criá-la. Quando não estou inspirada, abro o meu arquivo e fico olhando para ele uma, duas horas e não sai nada! As vezes coloco uma música e me forço a escrever e acredite, fica horrível! Prefiro mil vezes esperar aquela luz vir e nem que seja no meio da madrugada, levanto e escrevo. Aí eu gosto do resultado, parece que sai espontâneo, nada forçado, sabe? Pelo menos para mim é assim. 

- Filósofo dos Livros: Você acredita que será possível no Brasil, termos escritores que vivam apenas do seu trabalho como escritor? 
- Letícia Godoy: Na verdade, já temos alguns! É muito difícil, é, com certeza, mas já estamos conseguindo mudar isso e não vou dizer que todos nós vamos conseguir isso assim tão rápido, mas o cenário atual está mais receptivo do que antigamente e eu acredito que vários de nós vai conseguir esse feito daqui uns tempos. Não podemos perder as esperanças, não é? 

- Filósofo dos Livros: Foi difícil conseguir uma editora para publicar sua série? 
- Letícia Godoy: Sim, com certeza. Faz muitos anos que tento publicar algo, não somente a série. Hoje vejo que todos os nãos recebidos foram merecidos, pois o texto não estava mesmo bom, não tinha qualidade e todas as reescritas, ajustes e etc valeram a pena quando os sim começaram a chegar. Aí a parte mais difícil foi escolher a editora que melhor se adequava ao que eu estava pensando para mim no momento. Acho que fiz uma boa escolha e continuaremos na luta! 

- Filósofo dos Livros: Você conhece algum escritor que escreva bem, porém não tem reconhecimento no Brasil? 
- Letícia Godoy: Muitos! Não vou citar nomes, mas existem vários escritores que conheço que são ótimos, tanto quanto os “estrangeiros”, odeio essa comparação, mas é o que sempre acontece. Uma vez, quando ainda estava bastante ativa no meu blog literário, fiz uma pesquisa para saber quanto o brasileiro lê e quais são as suas preferências... Os resultados foram alarmantes, as respostas também! Além de uma média de 4 a 7 livros por pessoas, apenas, a maioria das respostas dizia: prefiro literatura estrangeira porque os livros brasileiros são mal escritos. Isso me fez pensar muito a respeito e claro, existem mesmo muitos livros mal escritos, mas não somente brasileiros. Portanto, por que generalizar? Acho que quando esse tabu for quebrado, muitos escritores excelentes de nosso cenário atual serão descobertos. 

Adquira o seu exemplar
- Filósofo dos Livros: Que conselhos você daria para um futuro escritor que você não teve ao começar escrever? Que avisos você gostaria de ter recebido, mas não ocorreram? 
- Letícia Godoy: Primeiro: nunca, em hipótese alguma, pense que seu texto está perfeito só porque você o concluiu. Nada é perfeito! Nós não somos perfeitos, então, por que sua história seria? Esteja aberto a críticas e aprenda com elas. Eu não tinha muita consciência disso, pois comecei bem novinha, então na primeira crítica eu quase surtei, achei que nunca mais iria escrever, mas depois comecei a analisar e percebi que sempre podemos melhorar. Se a pessoa usou bons argumentos para dizer que você precisa melhorar isso e isso, então aceite e veja se pode fazer melhor. Eu gostaria de ter recebido esse alerta, talvez não tivesse me frustrado tanto com os não e nem ficado tão chateada com as resenhas negativas. Sempre vai ter alguém que não vai gostar, mas se uma pessoa gostar, então, por esta pessoa, tente melhorar sempre. E não faça somente pelos outros, faça por você mesmo. O crescimento pessoal é a melhor coisa que tem! 

 - Filósofo dos Livros: Eu quero agradecer por essa entrevista. Espero que ela seja a primeira de muitas que virão. Muito obrigado! 
- Letícia Godoy: Eu agradeço pela oportunidade, Fernando. Gostaria de desejar muito sucesso ao blog e de aproveitar para dizer que estou muito feliz com todo o apoio que tenho recebido do Filósofo dos Livros! De verdade, obrigada! A todos, um grande abraço e que minhas respostas não tenham deixado vocês entediados!!! Até a próxima!

Emocionante, não? Estou com meus olhos encharcados. Ter a oportunidade de entrevistá-la foi um dos melhores presente em minha vida. Sinto-me em êxtase, pois confio plenamente que as palavras de Letícia Godoy podem ajudar muitas pessoas. Minha sensação é de missão cumprida.
Espero que vocês, meus amigos tenham gostado e se emocionado tanto quanto eu. Deixe nos comentários suas opiniões.
Querem adquirir o magnífico livro de Letícia Godoy, cliquem aqui.
Beijo no coração e até a próxima. Espero me encontrar sempre com vocês aqui. Aproveitem e conheçam meu canal do youtube, clicando aqui.

10 comentários:

  1. Ai que lindo! Muito obrigada, Fernando! Foi um prazer responder as perguntas e leitores, desculpem alguns errinhos, é que nem sempre o meu cérebro funciona na velocidade dos meus dedos hahahaha

    de coração, você foi um fofo! OBRIGADA, OBRIGADA E OBRIGADA!

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    1. Fico imensamente feliz em saber que você gostou!!!!

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  2. Nossa, que maravilha de pessoa. Já conhecia a Leticia, ela é fantástica. Agora conheço a sua história, e que sirva de lição para muitas outras pessoas. Realmente Fernando, é como nos conversamos após a leitura do livro It, crianças podem mesmo ser cruéis, se quiserem. Que ótimo que ela superou tudo é traz pra gente agorá essa linda obra. Cara, você conduziu a entrevista de forma perfeita. Parabéns a vocês, foi incrível.

    Abraços a você e beijos para a Leticia.

    Ps: Ela é mesmo uma moça muito bonita, concordo com o grande Filósofo.

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    1. Caraca!!! Eu tinha me esquecido de nossa conversa. Poderia ter aproveitado e ter inserido essa informação em nossa conversa.

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    2. Ai, Leo! Muito obrigada... Agora fiquei mesmo cor de tomate hahahhaa

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  3. Entrevista linda emocionante.Parabéns!!!

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  4. Que entrevista bacana, gostei do que você falou "Nando" e adorei conhecer Autora..

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