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sábado, 30 de abril de 2016

Entrevista com meu "Filhão" JM Alvarez

Olá, Galera do Mundo Literário!!!
Quem acompanha o blog Filósofo dos Livros? Vocês??? Então, já sabem do Projeto Adote um Autor Nacional criado pelo grupo Viciados em Wattpad, certo?
Hoje, trago uma entrevista com o meu "filhão" JM Alvarez, mas antes, temos uma pequena apresentação onde ele fala um pouco sobre sua vida. Acompanhem as linhas que se seguem:

Apresentação
Sou o José Manoel Alvarez, ou simplesmente JM Alvarez, nasci na cidade maravilhosa do Rio de Janeiro, em 14 de janeiro de 1957. Capricorniano, botafoguense e torcedor da Beija Flor, com muito orgulho. Casado e pai de três filhos já adultos. Formado em Administração de Empresas, trabalhei por 38 anos na área de vendas de uma multinacional fabricante de produtos de higiene. Em 2013, ao me aposentar, decidi não voltar mais a trabalhar formalmente, e passei a me dedicar a minhas grandes paixões, pela ordem, ler, escrever, desenhar e colecionar histórias em quadrinhos antigas. 
Dos quatro aos oito anos vivi na Espanha com meus avós maternos, numa pequena aldeia rural próxima a cidade de Santiago de Compostela, que ficou famosa pelo Caminho de Santiago, divulgado por Paulo Coelho em seu livro Diário de Um Mago. Meus pais eram espanhóis e vieram para o Brasil na segunda metade da década de 1950 tentar a vida aqui, já que lá na Espanha as coisas estavam difíceis, pois vinham de uma sangrenta guerra civil. Em 1961 minha avó quebrou uma perna e escreveu para minha mãe pedindo que ela voltasse, pois queria a filha a seu lado enquanto se recuperava. Minha mãe me levou com ela e esta foi a vez que andei de navio, treze dias de viagem até chegar lá. Ela ficou lá por dois anos e retornou ao Brasil, mas eu ainda fiquei na Espanha por mais dois anos, retornando depois ao Brasil já com nove anos. 
Voltei ao Brasil falando apenas espanhol, o que dificultou um pouco minha adaptação à escola brasileira. De minha professora, Luzinete, neste primeiro ano falando “portunhol”, ganhei meu primeiro livro de histórias, O Esquilo Voador, que devorei em poucos minutos. Este foi o livro que despertou meu interesse pela leitura, o que me transmitiu o vírus do qual nunca mais me curei

- Filósofo dos Livros: Acredito que toda escritor nasce antes como bom leitor. Como surgiu sua paixão pela leitura? Quais foram seus primeiros livros?
- JM Alvarez: Sem dúvida alguma. Ler, ler mais, ler muito, é o primeiro passo a ser dado por quem quer ser um escritor. Eu gosto de ler bons livros, sejam clássicos ou modernos. Acho fundamental para quem quer ser escritor ler de tudo um pouco, embora cada um tenha sempre suas preferências. Mas sempre vale a pena ler algum clássico, nacional ou estrangeiro. Para escrever a última parte do meu livro, ambientada em 1870 eu reli A Escrava Isaura, do Bernardo Guimarães, que já havia lido na adolescência, apenas para poder ficar no clima daquela época. Infelizmente no Wattpad vejo muuuiiita gente escrevendo sem a menor condição e alguns textos não dá para ler mais do que meia página. Vários textos que me pediram para ler e avaliar não tem qualquer sinal de pontuação ao final das frases, outros não separam os sinais de pontuação das palavras, fora os erros gritantes de linguagem. Isso é um sinal que as pessoas querem ser escritores antes de serem bons leitores. Alguém que escreve assim não leu nenhum livro de qualidade. Ou se leu foi incapaz de assimilar o que foi lido, o estilo, a maneira correta de escrever, etc. 
Tive o meu primeiro contato com um livro de histórias, como se chamavam na época, aos nove anos, quando voltei da Espanha, onde tinha ficado desde os quatro anos. O Esquilo Voador foi o primeiro, o inicio de tudo. Depois conheci o maravilhoso escritor José Mauro de Vasconcelos, com seus livros Meu Pé de Laranja Lima, Rosinha, Minha Canoa, O Palácio Japonês e o Veleiro de Cristal. Mas o meu favorito sempre foi Erico Veríssimo, com O Tempo e O Vento, Um Certo Capitão Rodrigo, Ana Terra, Clarissa, Saga, Incidente em Antares, entre outros. Ele era um escritor genial. Depois descobri os autores de ficção científica como Arthur C. Clark e Isaac Asimov, e os fantásticos romances de Edgar Rice Burroughs, contando mais de vinte e seis aventuras de seu genial personagem Tarzan, que integravam a antiga coleção Terramarear, da Companhia Editora Nacional. Também na adolescência descobri os romances mais “picantes”, como se dizia na época, de Cassandra Rios, Adelaide Carrasco, Harold Robbins e Henry Miller, lidos sempre às escondidas e trocados entre os amigos. Dos autores românticos e grandes contadores de histórias os meus preferidos são Sidney Sheldon e Nicholas Spark. Todos estes livros foram importantes para mim em determinado momento de minha vida. 

- Filósofo dos Livros: Depois de ter se tornado um leitor, como surgiu o desejo de escrever um livro? 
- JM Alvarez: Desde a adolescência eu tinha um sonho de escrever um livro, e que, por inúmeros motivos nunca havia conseguido. Porém, há dois anos eu me aposentei e resolvi não mais trabalhar formalmente e dedicar-me aos meus hobbies favoritos: ler, escrever e desenhar. Amor Infinito surgiu com o titulo inicial de Almas Gêmeas. Sempre achei muito interessante este tema de almas gêmeas, que se reencontram em ininterruptas encarnações para viverem, ou não, um grande amor. Mas não é um livro doutrinário sobre reencarnações ou espiritismo. Falo muito rapidamente sobre essa questão. É um romance com muito amor e amizade. Eu já tinha este tema na cabeça, uma espécie de rascunho mental do que queria escrever, quando li uma carta na coluna do consultório sentimental da revista dominical do jornal O Globo, que tinha uma questão que casava exatamente com o que eu pretendia escrever. Então resolvi usar aquele tema como o ponto de partida; um sentimento muito forte entre dois amigos, sendo que ambos eram comprometidos e amavam seus parceiros. Em seguida pesquisei na Internet e em livros espíritas sobre o tema almas gêmeas. E a partir daí eu fui criando as tramas paralelas e desenvolvendo os personagens e seu universo. Alguns deles são adorados pelas fãs, que em certa altura da publicação do livro no Wattpad ficavam torcendo com quem o Gegê, personagem central, deveria ficar. 

- Filósofo dos Livros: Você tem algum ritual para começar a escrever? 
- JM Alvarez: Eu não tenho uma rotina fixa, mas gosto de escrever à noite, quando não tem tantas distrações para me tirar a concentração. Também não escrevo todos os dias, a não ser que o livro esteva um pouco atrasado, quando me esforçava para escrever mais vezes. Eu sempre escrevo ouvindo música. Na hora de escrever sempre está tocando Marisa Monte, Elis Regina, Nara leão, Norah Jones, Diana Krall, Pink Floyd, Zé Ramalho, Paula Fernandes, entre outras. Por incrível que pareça raramente faço anotações. Para o segundo livro precisarei fazer algumas anotações para não me perder nos entrelaçamentos do tempo e dos personagens, já que eu vou contar a história começando pelo final. Mas para o primeiro livro não fiz anotação nenhuma, o que me deixava confuso algumas vezes e tinha que voltar e partes já escritas para tirar dúvidas de alguns detalhes sobre os personagens. Mas para o segundo preciso manter um banco de dados com algumas informações importantes da linha do tempo, senão estou perdido. Rsrsrsrs. 

- Filósofo dos Livros: Quais as dificuldades que você encontra no mercado literário? 
- JM Alvarez: Acho que o mais complicado é a dificuldade de novos autores encontrarem editoras, de tamanho razoável, onde possam publicar seus livros, sem que sejam explorados com pedidos de valores exorbitantes para possam realizar seu sonho de vida. Como as grandes editoras preferem o lucro à qualidade, acabamos vendo as prateleiras das livrarias repletas de livros dos "famosos" das redes sociais e de realities shows, em detrimento de excelentes escritores que tem seus originais engavetados por não terem esta mesma oportunidade. Então sobram para os novos as pequenas editoras, que, em face a conjuntura econômica do país e a falta de linhas de créditos e recursos destinados à cultura, muitas vezes só conseguem publicar aos trancos e barrancos, em tiragens minúsculas, quase que "vendendo almoço para comprar jantar". 

- Filósofo dos Livros: O que podemos fazer para acabar com o preconceito em relação à Literatura Nacional? 
- JM Alvarez: Acho que o que pode minimizar ou acabar com este preconceito depende muito da massificação da divulgação dos autores nacionais. Divulgação principalmente pelos blogueiros, mostrando cada vez mais a qualidade dos livros e autores nacionais. Nós temos autores excelentes, mas alguns se escondem por trás de pseudônimos estrangeiros, quando o ideal era usarem seus próprios nomes, para ir acostumando os leitores a ler autores nacionais. Não estou condenando ninguém, pois cada um faz o que acha melhor para si. Mas acho que se o público já tem uma tendência, errada, de achar que os autores estrangeiros são melhores, mudar nossos nomes para "agradá-los" não vai resolver o problema, pelo contrário, vai continuar havendo esta percepção por parte deles. Como já falei antes, a divulgação cada vez mais dos autores nacionais pelos blogueiros e pelos leitores que mantem páginas ou grupos nas redes sociais é que vai ajudar a vencer esta guerra contra o preconceito. 

- Filósofo dos Livros: Fale-me um pouco sobre seu livro "Amor Infinito". O que as pessoas podem encontrar de bom nele? 
- JM Alvarez: No livro, um diário gravado num pen drive em formato de jóia é encontrado com Yara, a tripulante de uma estação espacial no ano de 2327. E ele conta uma grande história de amor acontecida em 2060 entre Gegê (Germano), Elisabeth (a namorada) e Bárbara (a grande amiga). E o mistério que explica este sentimento forte existente entre os personagens Gegê e Bárbara, só tem explicação em 1870, quando estes mesmos personagens estiveram juntos numa vida anterior. Aliás, todos os personagens da trama de 2060, são mostrados em suas vidas nos anos 1870, já na parte final do livro. E no final vamos também descobrir qual é a ligação de Yara com os personagens de 2060 e de 1870. Portanto nada mais natural do que chamá-lo de Amor Infinito, pois, de formas diversas, durou centenas de anos. 

- Filósofo dos Livros: Deixe uma mensagem para todos nossos leitores. 
- JM Alvarez: O objetivo dos meus livros é entreter as pessoas e passar uma mensagem sempre positiva. Nas minhas histórias não há vilões maquiavélicos, pelo menos não até agora. Quero que as pessoas tenham uma leitura gostosa, leve. E se for possível passar boas mensagens, onde o amor e o bem sempre vão vencer no final. Já chega a vida real, onde ultimamente a maldade está levando vantagem. Não quero isso nos meus livros. Quero passar mensagens boas, mas sem que possa ser confundido com livro de auto-ajuda. E eu não tenho nada contra este segmento, mas não é a minha praia. Quero que as leitoras acabem de ler o meu livro e o recomendem para as amigas. Costumo me referir mais às leitoras, mas o mesmo vale para os leitores, porém as mulheres estão dominando a literatura nacional ultimamente.

Queridos leitores, ainda teremos muitas coisas interessantes a respeito de meu filhão. Fiquem ligados!!! Por enquanto, peço um pequeno favor: Comentem e digam o que acharam da entrevista.
Conheçam a página do escritor, clicando aqui.
Beijo no coração e até breve.

6 comentários:

  1. Adorei a entrevista Fernando! Perguntas muito bem elaboradas por ti. JM Alvarez parabéns pela entrevista concedida ao blog. Abs!

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    1. Obrigado, Luciano.
      Boas perguntas nos dão chance de boas respostas.
      Grande abraço.

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  2. Obrigado pela oportunidade de falar aos seus leitores, Fernando.
    Foram ótimas perguntas.
    Grande abraço.
    JM

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    1. JM, você merece!
      Além de ser um grande autor, é uma pessoa especial.
      Parabéns!

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