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quinta-feira, 7 de abril de 2016

Resenha: Treze, de Duda Falcão, Argonautas e AVEC Editora


Olá Cadavéricos Leitores!
Mais uma vez, venho invocar as forças malévolas para que elas tomem posse de minha razão. Começo a ouvir sons sinistros e horripilantes. No alto, vejo estampado o número 13 no ar. Uma espécie de onda de azar toma conta de meu ser.
O Anfitrião
Uma voz retumbante vem ao meu encalço. Seu som estridente machuca meus tímpanos. Embora sofra com a sonoridade metálica e estrídula, a curiosidade gera um certo conforto.
O número 13 é substituído pela palavra Treze.  Vejo as letras charmosamente delineadas. Atrás delas, forma-se a capa do livro onde noto a presença do Anfitrião. Logo, vejo a forma de um livro inteiro. É o livro "Treze",de Duda Falcão, publicado pela Argonautas e AVEC Editora.
Não posso revelar detalhes físicos sobre uma determinada criatura que me aparece e entrega-me o livro em mãos. Apenas digo que ela se alimenta do medo e de vez em quando, ingere carne humana. Ela prometeu não me devorar. O seu intuito é ter alguém para conversar. Sua voz ainda machuca meus ouvidos, porém o assunto instiga minha curiosidade:
— O título Treze não surgiu apenas, porque a obra tem Treze Contos de Terror. O Treze é um número que atua em desarmonia com as leis do Universo. Na Santa Ceia, estavam presentes treze elementos. O décimo terceiro era Judas Iscariotes, o traidor. Existe um mito onde doze deuses se reuniram para uma refeição. Um deus que não fora convidado aparece e atrai inúmeras desgraças.
Nesse momento, começo a sofrer de Triscaidecafobia que é o medo do número Treze. Apavorado, sinto uma energia negativa rondando o nome Fernando Nery. Resolvo contar quantas letras encontro no nome que utilizo nas redes sociais. Vou contando vagarosa e cautelosamente. Gotas de suor pingam de minha testa. Descubro 12 letras. Dou um suspiro de alívio. Até me esqueço da criatura que se nutre do pavor humano.
De repente, do nada, surge a presença de Duda Falcão que diz:
— Palavras do Anfitrião: Leve no bolso um pé de coelho para afastar todos os malefícios.
Lembro que na gaveta de um dos armários de meu quarto, encontra-se alguns amuletos da sorte; no meio deles, há um pé de coelho. Não hesito em pegar o objeto. E todas as cenas apavorantes desaparecem.
Encontro-me sentado no sofá de minha sala e leio tranquilamente as páginas do livro "Treze" do Duda. Não há mais terror. Um sentimento bom presentifica-se no meu coração e prossigo a leitura.
Mais uma vez dou meu olá para meus queridos leitores. O texto acima serve para transmitir que ao receber a obra "Treze", de Duda Falcão por causa de minha parceria com o autor, a Argonautas e a AVEC Editora. Imagino que ao lê-la experimentaria ao menos um certo calafrio. Li os Treze Contos de Terror sem experimentar qualquer pontinha de medo.
O surpreendente de tudo é que mesmo sem haver pânico, simplesmente ADOREI  o livro. Mausoléu, obra anterior do Duda, encantou-me. Treze é milhões de vezes melhor!!!!  Talvez os motivos que me levaram a amar a obra desaponte os leitores fãs do terror, porém devo ser sincero e dizer que amedrontar não é o ponto forte da obra. Afirmo que o livro é ESPETACULAR. Em menos de uma hora, devorei suas páginas e fiquei encantado com tudo que li. Sei que parece estranho ler um livro de terror e admirá-lo quando sentimentos macabros não surgem na mente e nem no coração. Todavia, Duda foi tão genial em sua escrita que adianto a classificação dada ao seu livro. "Treze" merece CINCO ESTRELAS no Skoob. Gostaria de classificá-lo com TREZE ESTRELAS (risos).
A narrativa impecável e bem construída do autor destaca-se pela INTELIGÊNCIA. Em todo os contos, encontrei um tom reflexivo. Eles me pareceram mais parábolas do que propriamente contos. Em cada um, encontrei proeminentes mensagens. Neles, percebi dados a respeito da realidade atual que foram muitos proveitosos.
Não sinto necessidade de fornecer informações sobre o enredo dos contos, mas gostaria de mencionar as reflexões provindas do livro. Quando assumi o título de FILÓSOFO DOS LIVROS, a proposta foi justamente essa: não enveredar tanto em contar o enredo dos livros, mas me permitir um diferencial que seria me envolver com o livro e apresentar suas possibilidades reflexivas. É notório que os contos são carregados de simbolismos que se expandem :em altas reflexões. Não dá para falar sobre todas as meditações filosóficas realizadas por mim. Por esse motivo, mencionarei alguns.

O Corvo que se faz presente em alguns contos
- Em "Eadgar e o resgate de Lenora", há um apelo poético. Neste conto, percebi que o amor verdadeiro se mantém intocável. Ao trazê-lo para a dimensão carnal, morre. O amor perfeito configura-se sempre como algo inatingível.
- No conto intitulado "Sob os auspícios do corvo", uma história de faroeste, o simbolismo presente demonstrou-me que podemos controlar os demônios de nossa alma.
- "O Vampiro Cristão" tem um forte caráter religioso e certo apelo cômico. A narrativa fez-me pensar sobre as ações demoníacas:
"Somos muitos. Como pode duvidar? Cada um de nós faz o serviço que lhe compete, conforme a hierarquia. Alguns humanos, é bem verdade, não precisam de nossa influência para encontrar a perdição, sem dúvida, agem por vontade própria, são capazes de roubar, mentir, assassinar e outras coisas mais sem ter o mínimo contato conosco. Pra falar com sinceridade, eles nos poupam muito trabalho. Porém, muitas vezes, para despertar o mal em alguns, é necessário interferir."
Nesse mesmo conto, o simbolismo nos faz pensar sobre um certo caráter inquisidor da Igreja:
"A morte é melhor do que a escravidão."
- Amei o conto "Dragão de Chumbo". A reflexão proposta trata dos seres horripilantes que carregamos na alma e alimenta-se de nossos medos. Ainda nessa narrativa, percepcionei um conhecimento antigo: Satisfazer certas curiosidades pode ser perigoso para os seres humanos.
- O conto "Os bonecos de Rita" nos ajuda a perceber que crianças podem carregar muitas maldades em seu coração e nem sempre são os anjinhos que pensamos:
"A menina começou a arrancar, lentamente, um por um dos fios de cabelo de sua boneca preferida. Um presente dado pela mãe no último natal. Depois a desmembrou com paciência. Começou pelos braços, depois pelas pernas e, por fim, sacou a cabeça do encaixe do esguio pescoço.
- O conto nomeado "Licantropo" faz alusão à exploração do trabalho humano:
"O caminhoneiro sustentava a numerosa família com os parcos recursos que o patrão lhe pagava. O explorador nem mesmo assinava a sua carteira de trabalho. Mesmo assim, sempre cumpria tudo no prazo estipulado, sendo um profissional."
Outro ponto aludido é a miscigenação religiosa:
"Benjamin era católico, no entanto, a diversidade cultural e religiosa da comunidade em que estava inserido lhe permitia o acesso a todos os tipos de histórias. Assim, a cultura popular lhe enchia a cabeça de ideias fantásticas e mirabolantes."
- Colocar o título "Treze" para o último conto foi uma jogada interessante. Nele, aborda-se os aspectos supersticiosos da humanidade.

Ler "Treze", de Duda Falcão, trouxe-me uma satisfação enorme e antes de finalizar a resenha, quero que assistam o vídeo seguinte. Observe o detalhe artísticos da obra.

video

Parabenizo a Argonautas, a AVEC Editora e o Duda Falcão por esse livro espetacular. Se você deseja comprar a obra, clique aqui e adquira o seu exemplar. Em breve, farei resenha em vídeo no meu canal. Por enquanto, conheça o Canal Filósofo dos Livros, clicando aqui.
Abraços e até a próxima postagem.

10 comentários:

  1. Caro Fernando, meus parabéns pela postagem. O livro parece ser muito interessante e você está de parabéns pela resenha. A forma como vc colocou ficou excelente.

    Grande abraço,

    Cláudio.

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    1. Obrigado, querido autor. Saiba que você é sempre vindo no blog.

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  2. Uiii gostei da resenhaa ficou muito bom...

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    1. Oi Betinha! Fico feliz com sua presença. Pode aparecer quantas vezes quiser.

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  3. Resenha bem feita meu amigo! Muito bom. Abs.

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  4. Obrigado. Se você puder me adicionar no facebook, eu agradeço.
    https://www.facebook.com/fernandofilosofodoslivros
    Abraços!!!

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  5. Nando surpreendente, adorei sua resenha parabéns!!!!

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    1. Obrigado, Lu!
      Se você adquirir a obra, conte-me.
      Beijos!

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