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sexta-feira, 27 de maio de 2016

A Inclusão na Literatura

Olá, Amigos!
Convidei a autora Michelle Louise Paranhos a escrever sobre "A Inclusão na Literatura". Por que fiz a escolha? Vejam a minibiografia dela:


Professora aposentada de ensino fundamental da rede municipal de educação no estado do RJ, com especializações em dificuldades de aprendizagem, dislexia. Participou de oficinas de autismo, workshops e atuou como auxiliar de turmas de educação especial e inclusiva. Autora de Ponto de Ressonância, Mulato velho e Coisas de Lorena, que abordam sobre diferentes óticas o combate ao preconceito
Coisas de Lorena está com lançamento virtual previsto para Junho de 2016,mas já está em pré venda.

Não acham que ela é a pessoa adequada?
Caso, vocês se interessem em conversar com ela ou comprar alguns de seus livros, clique aqui e fale no inbox.

O primeiro livro infantil do Ocidente que se tem notícia só foi publicado em 1744 na Inglaterra.
Oficialmente considerada a obra que deu origem à literatura infantojuvenil, seu nome é “A Little Pretty Pocket-book: Intended for the Instruction and Amusement of Little Master Tommy, and Pretty Miss Polly...” - Um livrinho de bolso destinado para a instrução e diversão do pequeno mestre Tommy e da linda senhorita Polly .
O livro foi escrito com rimas simples e de imagens de crianças brincando com bolinhas de gude, de esconde-esconde, cricket, baseball e outros jogos. Publicado por John Newburry, ele foi o primeiro da editora que acabou se especializando em obras para crianças.
Porém, a literatura infantil percorreu um longo caminho antes de surgir de fato.
Primeiro, é claro, precisou-se alterar o entendimento sobre a infância como um todo - as crianças deixaram de serem apenas réplicas ou ainda miniaturas de adultos, inclusive com vestimentas iguais aos de seus pais em versão reduzida.
Em seguida, a criança conquistou o direito ao brincar, a não precisar trabalhar e poder se dedicar aos estudos.
Para as crianças com necessidades especiais a literatura infantil percorreu um processo ainda mais complexo.
Em um primeiro momento as crianças especiais eram discriminadas totalmente e segregadas ao esquecimento.
Aos poucos, a visão social de educadores, pais e consequentemente dos literatos que escrevem para crianças modificou-se.
Desde a Declaração de Salamanca, surgiu o termo necessidades educativas especiais, que veio a substituir o termo criança especial, anteriormente utilizado em educação para designar a criança com deficiência.
Porém, este novo termo não se refere apenas à pessoa com deficiência, pois engloba toda e qualquer necessidade considerada atípica e que demande algum tipo de abordagem específica por parte das instituições, seja de ordem comportamental, seja social, física, emocional ou familiar.
Por quê? O que um nome pode significar para estas crianças e mesmo para a sociedade?
A diferença não é apenas de nomenclatura, não!
Existe muito mais que isso escondido por trás de uma simples expressão: o potencial efeito discriminatório, ou seja, a procura de todos em reduzir o preconceito social.
O termo utilizado vai além: consegue não tornar o olhar inclusivo direcionado a um publico específico em um olhar que segrega o pequeno cidadão.
Dessa forma, qualquer criança pode, em tese, ter em algum momento uma necessidade especial a ser desenvolvida e igualmente estimulada para adaptar-se.
E mais: quando todos aprendem a conviver com as dificuldades do outro, além de aprender sobre solidariedade aumenta também a autoestima, porque sabe que se for preciso pedir ajuda, ele será ouvido.
Muitos autores hoje já tem consciência desse papel social em estimular a aceitação das diferenças e que livros que abordam esse assunto pode e deve ser lidos por todos, e não apenas um público específico.
Todos ganham ao discutir a diversidade.
E o papel da Literatura surge com o principal propósito de não apenas revelar as modificações sociais como servir de estopim para novas mudanças.
Alguns autores brasileiros escreveram livros para crianças abordando a diversidade.
O autor Ziraldo publicou Flicts em 1969:

“ Não tinha a força do Vermelho/não tinha a imensidão do Amarelo/nem a paz que tem o Azul/Era apenas o frágil e feio e aflito Flicts"

Embora fale de diversidade, a cor que não tem nome é uma metáfora para explicar de forma sutil como é complexo encontrar seu lugar no mundo.
Aos poucos surgiram muitos outros autores e a criança especial começou a sentir-se vista e ouvida. O tema agora é discutido mais abertamente, sem utilização de subterfúgios.
Em “Coisas de Lorena” a narrativa transcreve a visão peculiar de uma criança especial, com traços de espectro autista e a forma como ela interage com o mundo.
Em cada cena a pequena Lorena desafia a lógica de quem convive com ela, mostrando-se muitas vezes como um olhar ingênuo é capaz de identificar as incoerências de todos nós, discutindo aquilo que parece óbvio e que muitas vezes permanece escondido pelo véu do cotidiano.
Lorena precisa adaptar-se muito, é verdade.
Mas será que também nós podemos aprender algo do mundo através do olhar da criança especial?
É isso que este livro aborda: uma nova e necessária mudança de paradigma.
Assim, a educação para a diversidade mudou com o passar dos anos e hoje a literatura possui novos desafios pela frente.

Gostaram do texto? Vocês concordam que a mudança de paradigma é necessária?
Deixem sua opinião nos comentários.
Abraços e até breve.

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