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terça-feira, 24 de maio de 2016

Leitura e Recuperação Hospitalar de Crianças, por Francine S. Camargo

Olá, Amigos!!!
A escritora Francine S. C. Camargo é Médica Pediatra. Nesse artigo, ela nos explica como a Leitura pode ajudar na Recuperação Hospitalar de Crianças. A autora trata do tema de forma poética e prova que livros servem de grande auxílio para a saúde dos pequenos.

“Dorme, meu menino, dorme, 
enquanto lá fora o vento soprar, 
Essa história vou contar” 
(trecho do livro Dorme, menino, dorme, de Laura Herrera) 

Porque em meio a doenças
e indefinições, a vida
não pode parar.
E então vira rotina ter a estante cheia de livros ou o quarto bagunçado, com livros espalhados por vários cantos, ou a cada noite um livro diferente, lido, contado, vivido, com aventuras mornas ou intensamente imaginadas, com heróis reais ou com um bocado de sensacionalismo...contos de fadas ou de seres comuns, o que quer que caiba na hora da leitura, o que quer que eles solicitem. 
Que a leitura abre as portas do imaginário infantil, melhora o desenvolvimento da comunicação e expressão social, tem benefícios no desempenho escolar e na inteligência, proporciona novas experiências, senso crítico, emoções diferentes, tudo isso já é bem sabido e soa como ratificação.
Agora, quer projetar junto comigo o quão igualmente necessário é para uma criança doente continuar tendo esse estímulo, manter acesa a vontade de desbravar o mundo com toda a curiosidade e elaboração que lhe é inerente? 

“Dorme, menino, dorme. 
Não chora na noite escura.”

Imagine a cena: é noite a toda hora, mesmo quando o sol desponta no quintal. O dia brilha, mas ela, a criança, mal pode vê-lo, pois as janelas são muito altas e o prédio é frio e nada acolhe. Ela está fora de seu ambiente, privada das brincadeiras, de sua rotina, da escola, muitas vezes dos familiares, animais de estimação, amigos e objetos que reconhece como seus. Some a isso outros estorvos, como indisposição, entra e sai de gente para medir a temperatura, avaliar os sinais vitais, colher exames, fazer medicações, checar se o acesso venoso ainda está pérvio, ver se está tudo bem, examinar... 
Francine S. C. Camargo
Por isso, é de extrema importância fornecer a ela mecanismos para reconhecer todas as suas potencialidades, formas de humanizar o espaço hospitalar e trazer-lhe a percepção de que ali pode ser falado a mesma linguagem que ela. A criança precisa ser ouvida. Daí que a ideia do alcance da leitura ou contação de histórias tem surgido como um hábito necessário. 
Fornecer um livro ou uma história a uma criança é um estímulo para que ela faça aquilo que uma criança deve fazer, independente da situação em que se encontra. É possível sorrir e divertir-se, mesmo que a medicação no braço seja contínua, mesmo que os cabelos estejam caindo, mesmo que um membro esteja imobilizado, ou trate-se de um pós-operatório mais complicado. Mesmo, inclusive, que não se tenha absoluta certeza de que ela estará ouvindo. 
O que é divertido, lúdico, inventivo intervém no curso da doença, de alguma forma, e embora não traga a “cura”, modifica o estado mental de uma criança e, consequentemente, da família que a acompanha, pois traz um bem estar emocional, descontrai e pode minimizar os fatores estressantes do adoecimento. Cientificamente falando, cria condições favoráveis para uma reação imunológica, podendo aumentar as chances de recuperação. 
Essas modificações se iniciam já na escolha de um livro ou de uma história a ser contada. A criança se enxerga com direito de escolha, já que em relação à doença ou seu tratamento, ela não tem opção. Desse ponto de vista, resulta o aumento da sua auto-estima e o preenchimento de um refúgio, que ela talvez não tenha ainda encontrado, enquanto aguarda restabelecimento. 
Com a alma nutrida de palavras, com o conforto de novas percepções num campo seguro, é possível também que a criança passe a expressar-se melhor, fazer comparações consigo mesma, divagar e, em alguns casos, até escrever sobre o que lhe incomoda. Pode até manifestar o desejo de modificar a realidade quando esta não lhe é satisfatória, após criar fantasias decorrentes da leitura ou escuta dos sempre presentes contos de fadas, por exemplo. 

“É através de uma história que se pode descobrir outro lugar, outros tempos, outros jeitos de agir e de ser, outra ética, outra ótica” 
(Abramovich) 

Para quem se interessar pelo tema, existem vários grupos que realizam atividades de leitura para crianças hospitalizadas, como exemplo existem as chamadas Bibliotecas Vivas, Biblioterapia, Contadores de Histórias, entre outros, dependendo das regiões do país. 
Porque em meio a doenças e indefinições, a vida não pode parar. E o encantamento de uma criança não pode ser calado nem por um segundo.

Gostaram do texto? Quero saber a opinião de vocês!
Francine S. C. Camargo é autora do livro "Mãos Livres", publicado pela Chiado Editora. Leia a sinopse da obra, clicando aqui

Aproveite para conhecer o blog dela que é espetacular e passa uma sensibilidade incrível. É só dar aquela clicadinha esperta aqui.
Abraços e até breve.

6 comentários:

  1. Ótimo Artigo Francine, parabéns! Na minha opnião os hospitais deveriam ter bibliotecas, alguns hospitais não permite a entrada para visitas sem parentesco com o paciente! O blog está se superando cada vez mais com artigos showw como esse Fernando, Parabéns pelo projeto Fala, Amigo! <3

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    Respostas
    1. Obrigado pela participação Cristy!!!
      E você já sabe, não é?
      As portas estão abertas e pode pular a janela, rs...

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  2. Excelente matéria da Francine. Parabéns à ela por abordar o assunto. Forte abraço Fernando.

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