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sexta-feira, 13 de maio de 2016

Plágio Literário: A Sucessora e Rebecca


Olá, Meus Amigos do Mundo Literário!!!
É comum dizer que brasileiro copia tudo dos estrangeiros. Mas será que isso é realmente verdade? Será que somos "copiões"? Talvez, façamos cópias de muitas coisas, mas há casos em que pessoas também nos imitam ou realizam o tal famoso plágio. Vou contar uma história em que uma brasileira foi plagiada.
No ano de 1934, a autora Carolina Nabuco, pertencente a uma família tradicional da sociedade carioca, publicou o livro "A Sucessora". Parece que a obra não fez grande sucesso, embora trouxesse uma história incrível de caráter psicológico.
Cena do filme "Rebecca, a Mulher Inesquecível"
Passam-se alguns anos. Em 1938, uma escritora britânica chamada de Daphne du Maurier publica a obra "Rebecca, a Mulher Inesquecível". O livro teve um certo reconhecimento e foi adaptado para o cinema em 1940.
No final dos anos 70, a Rede Globo adaptou o livro de Carolina e surgiu a novela "A Sucessora". Nesse momento, ocorreram comparações entre as duas histórias. Ambas trazem elementos centrais comuns. Falam de uma mocinha que se apaixona por um viúvo e são atormentadas pela governanta que tem uma verdadeira devoção pela falecida. Além disso, a presença da mulher morta exerce fascínio na vida de todos os parentes e amigos que frequentavam sua casa. A autoestima da jovem esposa é abalada por todas essas circunstâncias. E algo bem marcante é a presença do quadro da falecida em destaque na Mansão. Apesar da beleza da mulher, sentimos um certo medo ao contemplar a imagem.

Alice, a esposa falecida da novela "A Sucessora"

Não tive a oportunidade de ler as obras. Mas assisti ao filme e à novela. As semelhanças são notórias, porém existem elementos que as diferenciam e que tornam interessante analisar as duas versões. Dizem que antes da publicação, Carolina traduzira seu livro e o enviou a uma agência literária de Nova York, pedindo que fizesse contato com agentes literários da Inglaterra. É possível que Daphne du Maurier tenha lido a obra de Nabuco e realizado o plágio. Afirma-se que a autora de "A Sucessora" leu "Rebecca" e já havia processado sua plagiante, porém não obteve sucesso em seu ato.
Box "A Sucessora"
Para o público, tais rivalidades ficaram escondidas e só vieram a tona com a exibição da novela "A Sucessora". Pelo fato do filme "Rebecca, a Mulher Inesquecível", dirigido por Alfred Hitchcock, ter sido exibido antes e alcançado um enorme sucesso, passou-se a imagem de que Carolina Nabuco foi a plagiária. Não podemos afirmar que Daphne imitou Carolina, entretanto é evidente que a escritora brasileira foi original e não poderia ter copiado a história da britânica. Dúvidas permanecerão para sempre.
Rubens de Falco e Susana Vieira
protagonizaram a Novela "A Sucessora"
Gostaria de saber a opinião de vocês. Será que Daphne du Maurier plagiou Carolina Nabuco?
Ah, antes que eu me esqueça, ouvi dizer que Daphne du Maurier é o pseudônimo de um escritor, porém não encontrei nenhum artigo que me fornecesse uma prova contundente a respeito disso. São tantos mistérios envolvendo o caso.
Se você desejar comprar as obras para compará-las, encontrará o livro de Nabuco em sebos. Já a obra de Daphne pode ser encontrada na Saraiva, clique aqui.
Você também pode comprar os DVDs da novela "A Sucessora", basta clicar aqui.
Que tal assistir ao filme "Rebecca, a Mulher Inesquecível"?


Agora, vocês podem adquirir elementos para realizarem as devidas comparações. Repito que aguardo a opinião de todos.
Abraços!!!

23 comentários:

  1. Plágio literário é sempre um assunto muito polêmico! O que acontece é que muito se fala que se faz plágio da obra de determinada pessoa, porém quase sempre não se prova o que foi dito. Sendo assim fica difícil julgar se o fato é verdadeiro ou uma mera picuinha, misturada de inveja, gostei da matéria super interessante. Abraço.

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    1. Agradeço sua presença, meu amigo Luciano!
      Suas opiniões são sempre inteligentes e enriquecem o conteúdo do blog.
      Abraços!!!

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    1. Vc tem que assistir ao filme Rebecca e à novela. São fabulosos.

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  3. Ótima matéria! Não conhecia a obra, mas vou pesquisar a respeito delas.
    www.detudopouco.com.br

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    1. Eu gostaria de saber mais coisas sobre essa questão. O filme e a novela são maravilhosos, Silvânia.
      Obrigado pela sua presença aqui!!!

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    1. Gostou tanto que comentou duas vezes. Obrigadoooo!!!

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  5. Gostei muito da matéria Fernando, e como eu amo um bom mistério vou amar comparar as obras e descobrir mais sobre o assunto. haha

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    1. Quando fizer as comparações, conte-me o que concluiu, Cristy. Estou ansioso para saber!!!

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  6. Gostei dessw post fica a dica para julga né?Tipo muitos abrem a boca e diz com todas as letras fui plagiada e nem sempre tem como provar de que reaomente tal texto ou tal livro foi plagiado!

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  7. Adorei o post, parabéns!
    Ah, to achando que essa ou esse Daphne plagiou a Carolina sim!!
    A Carolina publicou antes e seria mais difícil ela conseguiu o livro de uma britânica também. Já a/o Daphne teria mais facilidade tendo em vista que a Carolina enviou o livro traduzido.
    Mas também pode ser coincidência,nunca se sabe né... Eu também achei ambas histórias parecidas com Encarnação de José de Alencar, apesar que o livro do José é mais rápido não tão aprofundado.
    Vai entender, só sei que é duro ter uma obra plagiada e ainda a dita cuja fazer mais sucesso kkkkkk
    Mas talvez seja algum tema de época, como hoje os livros eróticos são muito falados. Um exemplo é Dom Casmurro, que comparam com Otelo, li os dois e não acho muito parecido, mas dizem que Machadão se inspirou nele, então não chega a ser plágio, só um toque de inspiração kkkkk
    Amei mesmo o post, muito interessante.
    Abraços

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    1. Vai ver que a Carolina plagiou o José de Alencar e depois ficou criticando a Daphne, kkkkk

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  8. Duas pessoas podem ter a mesma ideia, nunca se sabe...

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    1. Mas a Daphne é suspeita de plagiar duas obras. E hoje, eu descobri que a Sucessora se assemelha a uma obra de José de Alencar.Será que a dita cuja plagiou?
      Nunca saberemos, rs...

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  9. Olá, Daphne du Maurier não era pseudônimo, era sim uma autora inglesa.
    Creio que você tenha lido ambas as obras e se o fez, certamente percebeu que embora tenham enredo parecido, as duas são bem diferentes.
    Analisar a obra literária A Sucessora baseando-se apenas na obra televisiva é realmente achar que houve plágio, porque na adaptação da TV se nota a presença de ambas as obras, porém, ao ler A Sucessora e Rebecca se nota as diferenças.

    O que existe entre essas obras é um fenômeno muito comum chamado Intertextualidade. Para construir o texto de seu blog você utilizou outras fontes de informações e quem leu essas informações pode notar a presença delas aqui em suas linhas. O fato de você ter lido e tomado esses textos como base para criar o seu não se constitui como plágio. Uma vez que houve assimilação desse conteúdo e você o transformou em outro.

    O mesmo acontece constantemente na literatura. É comum em um dado livro encontrarmos semelhanças de discurso de outro.
    A própria obra A Sucessora contém um enredo parecido com Encarnação de José de Alencar e até mesmo de Jane Eyre de Charlotte Bronte (ambos escritos antes da criação de A Sucessora)

    Na década de 30 (época do surgimento das obras em questão) o fenômeno da intertextualidade não era alvo de estudo, mas estava presente apenas no discurso dialógico de Bakhtin, que afirmava que um texto só existe e se constitui a partir do diálogo com outros textos, que notamos em um texto a presença de diversos outros e que um texto não vem à tona por si só, mas nasce baseado em outros.

    Ou seja, o fato de haver semelhanças entre os textos ou até mesmo Du Maurier ter utilizado a obra de Nabuco para criar outra, não constitui-se como plágio, apenas é um fenômeno comum dentro da tecitura de um texto onde um discurso serve como base para outro discurso, onde haverá um novo conceito criado a partir de um anterior.

    Espero ter ajudado um pouco em seus questionamentos.

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    1. Amei seu comentário. Muito Obrigado!!!!

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    2. Por nada.
      Inclusive, estou escrevendo um artigo científico sobre a intertextualidade encontrada nessas duas obras.

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  10. Este comentário foi removido pelo autor.

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  11. Este comentário foi removido pelo autor.

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  12. Eu li e reli A SUCESSORA e agora, estou lendo REBECCA. É óbvia a cópia da história, com uma ou outra variação, mas pasmem: até dois personagens de Du Maurier, justamente os criados de Menderley, tem os nomes de dois personagens de Carolina: o mordomo Robert (Roberto) e a criada de quarto Alice (Alice, primeira mulher de Roberto). Caramba, a americana plagiou toda a temática da jovem que se apaixona pelo viúvo maduro, a história da obsessão de Marina por Alice, a vida transformada da mocinha do interior (no caso de REBECCA, da dama de companhia tímida), o sutil mistério que envolvia o palacete carioca (no caso de REBECCA, a mansão Menderley), etc. Dá até raiva ver o quanto os intelectuais brasileiros eram (e até hoje ainda são) desconsiderados pelos estrangeiros... a obra de Carolina é menor, mais singela e sem grandes toques de mistério. É mais um romance psicológico do que um "thriller", obra de suspense. Ainda assim, eu o considero superior, na graça do estilo e nos toques originais que o tornam deliciosamente brasileiro.

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