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quarta-feira, 25 de maio de 2016

Resenha: "Exilado - Vol. 1", de Carlos Adriano Estevez, Editora Multifoco


"Isso é um jogo de xadrez, 
no qual somos apenas peões."

Olá, Galera!
Trago para vocês a resenha do livro "Exilado - Vol. 1", de Carlos Adriano Estevez. Ao abrir a obra, encontrei uma dedicatória do autor que contém a seguinte frase:

"Que a leitura desta história te 
traga emoção e/ou reflexão...
Acho que arte é para isso."

Emoção e/ou Reflexão
Dou um valor enorme para as mensagens que escritores trazem em suas dedicatórias. Geralmente, valorizo-as pelo carinho representado nessas poucas linhas. Dedicatórias simbolizam afeto. Entretanto, no pequeno texto de Carlos, encontrei um diferencial. Nessas poucas palavras, há um "e/ou" que me chamou a atenção de forma contundente. O "e/ou" referia-se à emoção e à reflexão que são funções da arte.
Segundo o autor, a sua arte poderia me trazer emoção e reflexão ao mesmo tempo ou poderia me conduzir apenas para uma delas. Não sei explicar o motivo exato, mas essa mensagem ficou martelando em minha cabeça e perguntei a mim mesmo: "Será que "Exilado - Vol. 1" me conduzirá por um caminho de emoção e reflexão ou será que percorrerei apenas uma estrada? Qual será o fim dessa jornada?"
Iniciei minha leitura e nas primeiras páginas, a emoção tomou conta. O estilo narrativo de Carlos é muito bom. Há um toque de humor que se evidencia por meio de expressões (gírias) bem inteligentes. Não sei ao certo, porém muitas gírias me pareceram criações de Carlos.
Na obra, encontramos histórias narradas em um Diário de Bordo e em um Livro Sem Nome. Além disso, encontramos outros elementos que carregam fatos complementares ao enredo. Reservo-me o direito de focar a resenha no Diário e no Livro.
Lombada da obra
O Diário de Bordo é narrado em primeira pessoa. Emiliano Ruas, gerente de um banco de investimentos, conta sua vida sem graça de forma bem engraçada. Ri bastante com essa figura. 
Já o Livro Sem Nome parece ter um caráter mais audacioso. A narrativa em terceira pessoa refere-se à família de um tal Ivan Taktarov. Também conta a vida de um personagem chamado Peter Coleman.
As histórias se passam em localidades geográficas diferentes que nos revelam imensas riquezas culturais. Emiliano vive no Brasil. A família de Ivan habita na Ucrânia e Peter pertence aos Estados Unidos.
Diário de Bordo traz uma narrativa mais pacata. Livro Sem Nome é pura adrenalina. Ambas narrativas mexem com nosso estado emocional. Em meio a tantas histórias singulares ficava pensando em qual seria o elo de ligação entre elas.
Entretanto, tudo vinha de maneira tão diferenciada que não me apercebia de qualquer ponto de união.
Emiliano sofre de insônia. Curte mulheres. Tem uma vida louca, embora pacata. 
Ivan é marcado pelas aventuras. Suas ações são regadas de cenas violentas com direito a tiros e muito sangue.
O que dizer de Peter? Os fatos pegam sua infância e prosseguem até chegar em sua vida adulta. Percebe-se uma infância frustrada e amarga. 
O aspecto temporal também é diferenciado. Encontramos Emiliano em 2014. A família de Ivan aparece em 1998. Enquanto Peter vive entre as décadas de 60 e 70. A diferenciação temporal serve como chave de leitura para uma melhor compreensão da obra.
Contracapa do livro
O livro traz fortíssimas doses de mistério e senti-me dentro de cada cena. Teve até momentos em que me lembrei de livros de Agatha Christie.
Como mencionei anteriormente, a emoção avassalou-me. Contudo, no decorrer da narrativa, surgiu a reflexão.
O estilo fragmentar do livro que conta fatos separados da vida dos personagens me fez perceber que lemos a realidade com uma incomensurável superficialidade, porque nos perdemos em pequenos trechos de nossas história sem fazer os devidos elos de ligação entre eles. O ser humano não tem acesso à globalidade de sua existência.
A maioria de nós é apenas um peão nesse jogo de xadrez chamado vida. Aqueles que seriam as peças mais importantes do tabuleiro não desejam a igualdade:

"Aqueles que estão no poder normalmente dizem querer que os outros sejam todos iguais. Mas eles mesmos não são iguais. Obviamente que não. Eles têm o poder. A igualdade é o que sobra para aqueles que não escrevem a história. A igualdade é a maldição do gado que, a tudo, apenas assiste. Com baba escorrendo lenta e persistentemente pela boca."

A descoberta mais surpreendente, e que nunca pensei em minha vida foi que o uso da razão serve para fortalecer nosso lado animal:

"Nós, seres humanos, somos animais. Animais dotados de um intelecto superior, que nos permite agir não apenas por instinto, mas também racionalmente. Porém, quando raciocinamos, raciocinamos para quê? Para sobrevivermos. Para conseguirmos poder. Para nos mantermos no topo da cadeia alimentar. Para conseguirmos prazer. No fim, o fato de raciocinarmos serve apenas para que consigamos exercer com excelência nossa animalidade. Serve para fazer com que nossos instintos se tornem ainda mais fortes e nossas necessidades primordiais, primitivas e viscerais sejam satisfeitas."

Até que ponto, somos verdadeiramente seres racionais? Para descontrair, leiam a próxima cena picante e engraçada (risos):

"Johnny foi até o armário buscar algo. Uma cinta equipada com um pênis de plástico negro.
— Ai. Pra que isso?
Foto do autor na contracapa
Sua voz era uma mistura de espanto com tristeza. O velho Jonivaldo nada respondeu. Ele apenas se virou de costas para ela, joelhos no chão e mãos na cabeceira da cama. Ela já havia sido penetrada, mas não esperava ter que penetrar ninguém. Na verdade, ela nunca pensou que fosse fazer isso em algum momento de sua vida. Porém, para uma atriz, é importante não se sentir desconfortável ao ter que improvisar. A princípio, tudo que ela sentia ao balançar o quadril era asco. Um pouco depois, o asco foi substituído por raiva. Ela começou a dar tapas naqueles glúteos velhos. Como Johnny pareceu gostar dos tapas, ela sentiu vontade de esmurrá-lo com a parte abaixo dos punhos. Jonivaldo urrava. Depois disso, a raiva começou ser substituída pela vontade de chorar. Cris olhou pra trás, tentando proteger seus olhos daquilo. Ao ver a imagem de sua grande bunda e de seus olhos azuis brilhantes refletidos no espelho, ela se sentiu aliviada. O sucesso, então, seria questão de tempo. Cris tinha certeza de que estava no caminho certo."


Descontraídos, depois dessa cena brilhante (risos), voltemos à seriedade da obra. Afirmo que de todas as lições apreendidas, a mais importante se resume nessa frase que formulei:


"Quando não há comprometimento, até os atos mais talentosos terminam em derrocadas."

Concluída a leitura do primeiro volume de "Exilado", confirmo que a obra de arte de Carlos Adriano Estevez cumpriu papel pleno em minha vida, quando presenteou-me com emoção e reflexão. Para um livro espetacular como esse, só resta a classificação de CINCO ESTRELAS no SKOOB.

Parabenizo o autor por sua genialidade. Adquira seu exemplar, clicando aqui.
Em breve, estarei resenhando o segundo volume de sua arte.
Abração e até a próxima postagem.

8 comentários:

  1. Resenha excelente meu amigo! O livro é genial, pois mexe com a emoção e faz o leitor refletir. Muito bom. Forte abraço.

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    1. Obrigado, Luciano!!!
      O autor soube conduzir muito bem sua narrativa.

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  2. Que bom que você gostou, amigo! No segundo volume essas histórias todas vão se juntar, tenha fé! rss Ótima resenha... Um grande abraço!

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  3. Ficou ótimo! deu até vontade de ler! parabéns você é incrível com resenhas *o*

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    1. Muito Obrigado, Emilly. Fico contente com sua presença no blog!

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  4. Uauuu fiquei até sem palavras essa resenha magnifica parabênsss.

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    1. Eu fiquem sem palavras com seu elogio!!!
      Beijos!!!

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