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segunda-feira, 16 de maio de 2016

Resenha: Um Toque do Passado, de Dorinha Marinho, Editora Percurso


Olá, Amigos Literários!
Ao visualizar a obra de Dorinha Marinho, intitulada de "Um Toque do Passado", publicação da Editora Percurso, concebi uma certeza: estou diante de uma obra espetacular. Porém, equivoquei-me quanto aos aspectos referentes a esse espetáculo magistral.
 Alguns medos exercem
fascínio em certos espíritos.
O livro nos apresenta uma capa doce onde figura um casal se beijando. Encontramos um belo cenário ludovicense que completa a linda imagem. Tudo nos leva a crer que o opúsculo traz uma comovente história de amor cujo caminho nos conduzirá a reflexões concernentes à vida dos enamorados.
Descobri que tal apresentação configura-se como uma grande farsa. Docilidade é uma característica que pouco se apresenta no enredo. Diante daquilo que me foi revelado, pretendo trazer as verdades presentes na narrativa magistral da autora.
Convém afirmar que "Um Toque do Passado" beira a um livro de terror. Mas não pense que encontrará seres fantasmagóricos ou criaturas sobrenaturais. O terror presente na obra traz elementos da realidade humana que se qualificam como escandalosos. O horror psicológico reflete toda maldade humana que seres humanos podem carregar no seu âmago. As poucas cenas de amor servem para dar uma amenizada aos aspectos lúgubres da história. Não imaginava que Dorinha Marinho tivesse tanta perspicácia ao descrever personagens frios e malévolos.
No início do livro, conhecemos Letícia, uma mulher que sonha com um grande amor. Poucas páginas adiante, deparamo-nos com o Tenente Aldo Moreira que chega de navio em São Luís do Maranhão.
As primeiras páginas apresentam um clima romântico. A autora criou uma cena propícia para o encontro do casal. Surgem diálogos amorosos entre os dois. As falas são bonitas, entretanto desvelam de forma sutil a vaidade humana. Não são conversas maldosas, porém o exibicionismo se evidencia. Aldo sempre ressalta sua beleza física. Letícia não fica atrás. Alguns diálogos emanam um certo humor:

"Letícia resolveu puxar uma brincadeira para quebrar o clima de constrangimento. 
— Tenente, devo lhe dizer que, se fosse com uma mulher, pensaria que se tratava de uma gravidez, mas não é esse o seu caso, é?
— Percebestes algo estranho em minha barriga enquanto me examinava, doutora?
Os dois soltaram bela e espontânea gargalhada."

Os acontecimentos iniciais ocorrem em belos cenários de São Luís do Maranhão. A autora é detalhista e fornece-nos descrições encantadoras da região. As paisagens propalam um clima afrodisíaco. Tudo seria favorável para a realização de episódios românticos.
Dorinha Marinho e Vanessa Araujo
Paralelamente a todos os eventos, vislumbramos os pesadelos e visões de Aldo. O protagonista tem pesadelos que envolvem o passado de sua mãe. As visões seguem o rumo dos pesadelos, pois ele enxerga sua progenitora padecendo de inúmeros sofrimentos. Os dons esotéricos de Aldo perturbam sua alma, pois ele não compreende os significados dos lances hediondos que visualiza.
Em determinada parte do livro, o enredo gira em torno do passado da família de Letícia. Nessa hora, constatamos que o título "Um Toque do Passado" poderia ser substituído por "Uma Porrada do Passado". A palavra "toque" é muito tênue em relação aos acontecimentos horripilantes da obra. Somos enxovalhados com os piores atos da raça humana. Vemos um festival de canalhices.

"Essa encrenca pode custar minha vida, tenho que achar uma solução e rápida, tenho que sair pela tangente, pois o que eu não posso fazer é ficar de braços cruzados, não sou otário, essa abestada é que dançou. Quem manda não se preparar para a vida?"

Poucas pessoas do passado da família de Letícia escapam da bandidagem. Os relatos adquirem quase que um caráter de inverossimilhança devido ao alto grau de crueldade das pessoas. Embora, tudo pareça uma explosão de ações diabólicas, a linguagem da autora não faz uso de termos chulos. Vulgaridade não faz parte do padrão de Dorinha Marinho. A autora mantém a classe desde o início do livro até o seu final.
Detalhe da Diagramação
Em meio a fatos escandalosos, surge a verdade mais cruel da trama, e é aqui que devo encerrar meus comentários acerca do enredo. Só me resta repetir que a obra é espetacular. Concluímos que não há limites para a maldade humana. É possível tecer inúmeras reflexões filosóficas sobre a perfídia de homens e mulheres. Torna-se dificultoso encontrar adjetivos que expressem a riqueza da obra. As qualidades da escrita de Dorinha são incomensuráveis. 
O final é triste, levemente melancólico. Considero esse incidente como um ponto positivo, pois foge do convencional. Sempre desejamos finais felizes, no entanto, a realidade traz a tona uma porção de desfechos tristes para as diversas situações que a humanidade vivencia. Enfim, mais uma obra que classifiquei com CINCO ESTRELAS  no Skoob.

Quando não procurava uma história de terror, deparo-me com os piores horrores da alma humana. Aplausos para autora que me encantou por meio de uma meada literária aterrorizante. Alguns medos exercem fascínio em certos espíritos.
Gostaram da resenha? Querem ler a obra? Basta clicar aqui para adquirir um exemplar do livro.

O Caminho onde as Histórias se encontram

Peço que nos comentários, se possível, respondam-me as seguintes questões:
- Existem limites para a maldade humana?
- Como impedir que o mal se alastre?
- Vocês concordam que os melhores livros de terror não trazem personagens sobrenaturais, mas aludem às piores ações dos seres humanos?
Desde já, agradeço pelas respostas de vocês.
Abraços e até breve.

13 comentários:

  1. Resenha bem feita meu amigo. Parabéns à Dorinha Marinho pela obra. Livros onde retratam a realidade do ser humano me fascinam. Abraço.

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    1. Obrigado, meu amigo!!
      O livro surpreende, por que nos engana. Pensamos ser uma coisa, mas é outra.
      Abraços, meu amigo!

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  2. Gosto de livros que abordem a natureza humana de maneira clara, mostrando o lado sombrio que habita em nós. Pela capa julguei ser apenas um romance bobo; estava muito enganado.

    Desbravador de Mundos - Participe do top comentarista de maio. Serão três vencedores!

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    1. Eu vou acompanhar seu blog, mas acho meio tarde para participar do top comentarista. Abraços e muito obrigado pelo convite.

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  3. Nossa fiquei até pensativa aqui com o que passou nessa resenha!
    1 Acredito que não existe limite para tanta maldade
    2 Só Deus pode acabar com a maldade dos seres humanos.
    A terceira tenho que pensar!
    Quero esse livrooooooo uiiii.

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    1. Aguardo sua resposta. Você foi a primeira a responder, rs...

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  4. Nossa fiquei até pensativa aqui com o que passou nessa resenha!
    1 Acredito que não existe limite para tanta maldade
    2 Só Deus pode acabar com a maldade dos seres humanos.
    A terceira tenho que pensar!
    Quero esse livrooooooo uiiii.

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    1. Continuou pensativa e nem respondeu, kkkk

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    2. Sim com certeza os livros de terror mostra um pouco o lado de um ser humano, tipo acho quejá vi acontecer algo e parar e pensar eu vi essa cena em algum lugar!

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  5. Se há limite na maldade humana depende
    O que fez para provocar essa maldade
    O ser humano em si é uma caixa de surpresa inexplorada
    Costumo dizer que somos uma caixa de pandora
    O inexplorado às vezes não se deve explorar para não deencader surpresas desagradável.

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    1. Adorei sua opinião, Regiane Pinheiro. Super feliz!!!

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  6. Que resenha espetacular, mais uma vez parabéns Fernando, bom respondendo as perguntas acredito que infelizmente não há limites para a maldade humana, para mim só existe uma maneira de impedir que o mal se alastre, que é "Ameis uns aos outros."
    Se existe amor ao próximo você não faz nada que não gostaria que fizessem com você, porém isso está cada vez mais longe de acontecer como vemos ou ouvimos todos os dias, concordo e me lembra muito uma frase (não sei o autor)
    "Crescemos e descobrimos que os monstros não estão debaixo da cama e sim dentro dé nós mesmos."

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    1. Concordo. Os monstros habitam nossa mente e nosso coração. Medoooo!!!
      Obrigado, Cristy pela sua participação!!!

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