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sexta-feira, 24 de junho de 2016

Rac-Rac-Rac, por Brendo Hoshington

Olá, Galera Macabra!
Hoje, na Sexta-feira do Terror, o nosso amigo Brendo Hoshington nos traz um horripilante conto. O teor psicológico é fascinante. Confiram e não deixem de comentar!!!!

Acordei no meio da noite. Despertado por um barulho vindo de algum canto da casa, olhei para o lado, mas não encontrei minha esposa, instantaneamente. Fiquei preocupado. 
Caminhei descalço até o corredor ao mesmo tempo em que o barulho se intensificou. Um rac-rac-rac misturado ao som de algo sendo arrastado. Chamei pela minha esposa, mas não obtive resposta. Senti que algo muito errado estava acontecendo. 
Puxei o celular do bolso, e liguei para emergência enquanto caminhava em direção as escadas.
– Tem alguém na minha casa – disse desesperado. – Acho que capturou minha esposa. 
Após pegar o meu endereço, a atendente afirmou que estava mandado uma viatura. Desci as escadas atento a qualquer movimento. A luz da cozinha estava acesa, me escondi rapidamente ao ver uma sombra passar em direção ao armário. O rac-rac-rac havia cessado, dando lugar ao barulho das gavetas sendo abertas. 
Caminhei furtivamente em direção a cozinha e parei ao ver o corpo de Laura estirado no chão, na verdade, os pedaços dela, braço para um lado, perna para o outro e muito sangue. O homem que era da minha altura estava de costas segurando um serrote enquanto vasculha uma gaveta. 
– Onde está? Onde está? – sussurrava para si mesmo. 
Ajoelhei-me ao lado de Laura e passei a mão em seu rosto, tremendo enquanto encarava seus olhos abertos. 
– Aqui está – disse o assassino com uma voz estranhamente familiar. Quando ele se virou em minha direção, senti como se o mundo tivesse parado, aquilo era surreal. 
Era como se alguém tivesse roubado o meu corpo e vestido ele. Possuindo os mesmos olhos que os meus, a mesma boca, as mesmas mãos, e um sorriso tão malévolo que eu jamais seria capaz de esboçá-lo. 
– Ainda bem que você chegou – falou ele com a minha voz. 
Não parecia se perturbar com a minha presença, em vez disso, olhou para mim como se eu fosse seu melhor amigo. 
– Vamos. Você não vai me ajudar? – Ele caminhou em minha direção e me entregou um saco de lixo. – Comece a juntar os pedaços, vou ver se encontro algum pano para enxugar isso. 
– Eu... eu chamei a polícia – balbuciei, como se de alguma forma aquilo pudesse me defender. 
– Você fez o quê? – percebi a ira tomando conta dele. – E é melhor você fugir antes que eles cheguem. 
– O que deu em você? – perguntou irritado. – Eu estava tentando nos salvar e você chama a polícia? 
– Como assim nos salvar? Não sou eu que estou com as mãos sujas de sangue. 
Pude ouvir as sirenes das viaturas se aproximando enquanto o assassino caminhou em minha direção. – Seu idiota. – gritou me derrubando no chão, subiu em cima de mim e começou a me socar. 
A porta da sala foi arrombada e passos ecoaram até a cozinha, ainda assim ele continuou me batendo, levei as mãos até o rosto para impedi-lo, quando simplesmente ele desapareceu. 
Brendo Hoshington
Quando me levantei e encarei minhas mãos vi que estavam sujas de sangue, assim como minha camisa. O serrote estava largado no chão ao lado do corpo de Laura, seus olhos me encarando de forma acusatória.
– O que foi que eu fiz? – indaguei a mim mesmo sucumbindo ao chão, aquele barulho reverberando em minha mente. Rac-rac-rac.

4 comentários:

  1. Muito bom o conto! Parabéns Brendo, mandaste muito bem no conto. Escreves terror com excelência e maestria. Forte abraço!

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. '-' uma semana sem dormir? Sim! uma semana com medo de apagar a luz? com certeza!

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