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sexta-feira, 15 de julho de 2016

Apartamento 257


Olá, leitores macabros!
Hoje tem Sexta-feira do terror. E aqui quem vos fala é Brendo Hoshington. Trago a vocês um conto de minha autoria e espero que gostem. Confiram e não deixem de comentar. Depois de lerem meu conto, aproveitem para conhecer meu Blog Literário Book of Livros, cliquem aqui e acompanhem-me nas resenhas de livros que realizo.

I
sabelle acordou ensanguentada e confusa. Os lençóis, retorcidos sobre ela, estavam ensopados de suor, os cabelos grudados nas têmporas. A dor de cabeça veio assim que ela se levantou. Não fazia a mínima ideia do que havia acontecido.
Havia sangue respingado em sua blusa, mas não era seu.
Concluiu que aquilo só poderia ser mais uma de suas alucinações. Seguiu descalça para o banheiro em busca de seus remédios, e quando abriu o armário não pode acreditar no que estava vendo.  O frasco alaranjado estava vazio.
– Não, não pode ser.
A dor de cabeça a atingiu novamente, dessa vez ainda mais forte. Junto com ela um pequeno lapso de memória reverberou em sua mente. Algo sobre se levantar de madrugada irritada com alguma coisa, lembrou de estar furiosa, mas o motivo lhe permaneceu oculto.
Isabelle estremeceu; o vento frio vindo da janela passou por ela com um turbilhão de questionamentos.
– Será que eu matei alguém?
Culpa e remorso lhe apunhalaram como uma faca. Uma faca. Havia ido até a cozinha e pegado um faca, e depois, saiu para o corredor do prédio, o ódio correndo em suas veias.
– Não, isso não é real. Não é real.
Isabelle tirou as roupas e as jogou no lixo. Tomou banho, vestiu-se e pegou as chaves do carro. Precisava ir ao consultório do doutor Rylson o mais rápido possível.
Quando saiu para o corredor a atmosfera era completamente anormal. Os gritos familiares que sempre ecoavam do apartamento 257 haviam cessado naquela manhã. Isso era estranho; o casal que morava lá costumava discutir a todo e qualquer momento, mas de manhã, de manhã era praticamente um ritual.
Isabelle não conseguiu se conter, caminhou furtivamente até a porta do apartamento e levou o olho até o buraco da fechadura. Na esperança de que pudesse ver alguma sombra passar e descartar a hipótese que estava começando a brotar em sua mente.
Mas nada aconteceu. Nenhum grito, nenhum xingamento. Apenas aquele silêncio perturbador, que foi quebrado segundos depois pela senhora Consuelo, moradora do apartamento 255, uma senhora de idade já avançada e de origem asiática. Falava muito pouco, o que fez Isabelle estranhar ainda mais sua intromissão.
– Eu sei o que você fez. – disse ela com a raiva predominando em sua voz. – E já chamei a policia.
– A senhora o quê? – perguntou Isabelle atordoada. – Não pode ter feito isso comigo.
– Claro que posso. Eu vi o que fez e não tenho medo de você com aquela faca.
Gelo passou pelo corpo de Isabelle. Não havia sido alucinação. Ela havia matado alguém.
– Não. Não sou assassina. – disse Isabelle, mas para si mesma do que para senhora a sua frente.
– Isso você vai ter que provar para os tiras.
Desesperada, Isabelle correu para sua casa. Foi até a cozinha e encontrou a faca sobre o balcão da pia, suja de sangue da ponta ao cabo.
– Ai droga. O que eu fiz?
Havia surtado outra vez. E dessa vez havia matado pessoas. Sentou-se no chão e ali ficou até a policia chegar, refletindo sobre o que fariam com ela. Provavelmente seria internada em algum hospício, de onde jamais poderia sair novamente.
Abriu a porta. E encarou o policial careca posicionado entre a senhora Consuelo e outro policial.
– Senhorita Isabelle?
Ela consentiu com a cabeça.
– Terá que vir conosco.
– Claro, se quiser pode me algemar.
– Não creio que seja necessário. Não fez nada demais. – disse olhando para a senhora ao lado, como se estivesse com medo dela.
– O quê? Eu matei duas pessoas.
As três pessoas em frente à Isabelle recuaram para trás com os olhos arregalados.
– Quem você matou? – indagou o policial, levando a mão ao coldre da arma.
– O casal do 257. Pode perguntar a ela, ela viu tudo.
– Está maluca? O casal do 257 se mudou ontem a noite.
Isabelle sentiu-se inteiramente confusa. 
– O quê? Então não sou assassina? – disse animada.
– Claro que é. – desanimou Consuelo. – Você matou a Alicia.
– Alicia? Quem é Alicia?
– Minha gata. Você matou minha gata...

6 comentários:

  1. Ficou uma mistura de terror com comédia macabra.
    Parabéns pelo conto!!!

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    1. Obrigado Fernando, era essa a intenção. Rsrs

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  2. Que final foi esse? Ao invés de me assustar, dei risada. Muito bom. Ainda não havia lido nenhum conto do Brendo. Gostei. Quero ler Anamélia, mas tenho tido dificuldade para ler aqui. Espero que saia em físico.

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    1. Eu também ri muito e aguardo a obra física do rapaz, rs...
      Obrigado pela presença no Blog Filósofo dos Livros.

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