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sexta-feira, 15 de julho de 2016

Resenha: Beije Minha Bunda, de Clayton de La Vie, Editora Percurso

Olá, Galera!!!
Venho apresentar a resenha de um livro fantástico. Começo tecendo uma explicação a respeito do nome da obra. Creio que tal explanação será profícua para nossos leitores.
O título "Beije Minha Bunda" merece atenção, porque traduz o pior tipo de violência que podemos realizar contra uma pessoa. A expressão significa que não estou nem aí para as pessoas que me cercam. Equivale ao "vá plantar batatas" ou ao "eu não me incomodo com você". Traduz-se também como "seja o que for que você precisa, eu não vou lhe conceder" ou até mesmo como "sua pessoa não me faz nenhuma diferença".
Lombada da obra
"Beije minha Bunda", uma expressão aparentemente cômica, é algo carregado de uma força negativa ao extremo. Manifesta-se de forma sútil e enganadora enquanto expressão idiomática; porém, corrompe a alma com o maior grau de egoísmo.
Contracapa do livro
Digo "Beije Minha Bunda" para alguém ao considerá-lo um verme e tenho a pretensão de afastá-lo definitivamente de minha vida ou mantê-lo bem próximo sem respeitar qualquer um de seus desejos. Seria o grilhão de uma escravidão, onde vitimizo o meu próximo sem respeitar qualquer estrutura de sua personalidade, seja espiritual, emocional ou racional.
Orelha de capa
O título "Beije Minha Bunda" tem requintes de crueldades sórdidas e macabras. Nem ao meu pior inimigo desejaria que ele "beijasse minha bunda".
Tendo feitas tais considerações, poderia terminar de forma bem tranquila a resenha e dizer que o livro de meu amigo Clayton de La Vie, publicado pela Editora Percurso,  eleva-se sobre muitos livros do gênero. Poderia terminar por aqui e dizer de maneira simples: "Leiam, porque vocês não irão se arrepender."
Entretanto, continuarei com meu texto, dando mais detalhes sobre a obra.

Detalhe da Diagramação
"Em seu interior, no mais profundo de sua alma, tudo o que Pietro queria era que aquela sensação jamais acabasse e que o riso que surgiu por sua gargante continuasse a ecoar alto pelos corredores da casa. Teve certeza da morte do empregado. Foi até a cozinha, pegou uma faca, virou o garoto de barriga para cima e o abriu com um corte torto.
As vísceras expostas foram o suficiente para que um sorriso ainda maior que o anterior se abrisse. O homem ria insanamente, enquanto mexia no interior do cadáver. Ele segurou uma víscera com prazer e a levou à altura dos olhos. A gosma esverdeada misturada ao vermelho intenso do sangue fresco a fascinava."

O opúsculo é carregado de cenas fortes com violência ao extremo. A frase que melhor sintetiza a obra encontra-se na página 93.

"Somos consequências de atos. Atos dos nossos pais, atos de nossos educadores e, principalmente, somos resultados de nossas próprias atitudes."

Orelha da Contracapa com foto do autor
Clayton de La Vie é magistral em sua proposta, mas entendo que seu livro corre grandes riscos de ser mal interpretado pela geração do Mimimi.
Vejo pessoas acusando o autor de fazer apologia ao crime, à violência e até mesmo à pedofilia. Entretanto, até mesmo por conhecer o rapaz, sei que não se trata disso.
O viés consiste na construção do perfil de um assassino. Clayton não está preocupado em fazer discursos em tom moralístico para dizer tal coisa é certa ou errada. Seu interesse é revelar como se formou a personalidade de um criminoso. Parte de uma infância sofrida onde um pai torturava seu filho por meio da violência física e psicológica. Revela o amadurecimento de uma criança frente aos maus-tratos.
O autor conduz o desenvolvimento do protagonista sem descaracterizá-lo e desvela para nós a sua alma. Ficamos perplexos frente aos atos macabros e obscuros. Não se torna necessário apontar como erradas as ações de Pietro, o assassino. Somente pessoas sem caráter ou dotadas de imbecilidade não perceberiam isso.
Infelizmente, vivemos em uma sociedade que aponta os escritores como malévolos em seus textos, se eles não carregam suas páginas de opiniões ou juízos moralísticos. O jovem Clayton não adere a essa dinâmica. Simplesmente prossegue sua narrativa de forma audaciosa e ali tece a exposição da crueldade humana.
Pessoas preconceituosas ou de estômago fraco não conseguirão acompanhar o desenvolvimento de Pietro. Porém, quem deseja estudar a mente de pessoas violentas, encontrará um prato cheio na abordagem de Clayton de La Vie. A obra perfeita tem ares de documentário e merece ser analisada com minúcias. Por esse motivo, classifiquei-a com CINCO ESTRELAS no Skoob.
Caso você queira adquirir a obra, aproveite essa Promoção Sensacional:
Valor: R$ 15,00
Para saber mais, entre em contato: vendas@editorapercurso.com.br
Espero que vocês tenham gostado da resenha. Não se esqueçam de deixar seus comentários. Adoro saber a opinião de vocês.
Sem beijo na bunda. Beijo no coração de todos!!!!

4 comentários:

  1. Nossa, Fernando! Se antes eu já queria ler, agora então nem se fala. Aliás, não creio que o povo está caindo em cima, dizendo que o Clay faz apologia disso e daquilo. Olha, isso é coisa de quem não consegue enxergar o talento exímio de uma pessoa. Eu já li e resenhei duas obras dele: "A Mordida do Vampiro" e também "Vinte Mini Contos Macabros", e ambos são excelentes. Tornei-me fã do Clayton. \o Amei saber mais sobre o livro, assim como amei a resenha. Parabéns para ambos, ou seja, pra você e para o Clay. \o/

    Abraçossss

    Simone Pesci
    http://simonepesci.blogspot.com.br/

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    Respostas
    1. Obrigado, Simone! Sua presença em meu blog traz-me grande alegria.
      Abraços!!!

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