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terça-feira, 5 de julho de 2016

Resenha: Mulato Velho, de Michelle Louise Paranhos, publicação da Editora Raízes da América

Olá, Galera!!!
Tudo bem com vocês?
É com grande alegria, que venho compartilhar a resenha do livro "Mulato Velho", de Michelle Louise Paranhos, publicado pela Editora Raízes da América.
Pensando bem, o termo resenha não está adequado ao texto que vocês leem. Por meio de palavras, quero manifestar minha admiração pela obra. O meu post torna-se um Manifesto ao talento da autora.
"Mulato Velho" pode ter poucas páginas, mas sua grandiosidade vai muito além dessa poucas linhas.
Lombada do livro
Querem saber quantas vezes li esse opúsculo? Realizei 10 leituras, e cada uma teve um toque especial. Em cada momento, o livro dialogou comigo e trouxe-me lindas reflexões.
Quer saber uma grande verdade? Encantei-me demais com a obra. Por esse motivo, sinto-me na obrigação de convencê-los a lerem algo tão grandioso.
Logo no início do livro, a autora sabe instigar o leitor. Ela nos conta que procurava uma receita com bacalhau para preparar na Sexta-feira Santa:

"Sexta-feira Santa - março de 2014. Eu procurava no site de buscas da web uma receita para fazer bacalhau. Tradição é tradição. Muito embora eu não compartilhe essa religiosidade - a família que construí com meu marido é ecumênica e reúne mais de uma religião - gosto de apresentar a tradição dos avós aos meus filhos e, assim, abrir o diálogo sobre cultura e tolerância religiosa, baseados no amor e no respeito às diferenças."

Contracapa com a sinopse da obra
Nessa procura, ela encontrou a receita de um prato conhecido como "Mulato Velho":

"Quando a tela principal do site abriu, escrevi no espaço de pesquisa, a expressão 'receita com bacalhau' e, em seguida, apertei a tecla enter. A tela seguinte apareceu em segundos em meu computador, revelando as mais variadas formas de preparação do nobre peixe: tortas e suflês, Bacalhau à Gomes Sá, Bacalhau à espanhola e... um nome dentro todos se destacou: Mulato Velho."

O mais impressionante de tudo se encontra no texto seguinte:

"De fato, a receita era muito mais que uma simples listagem de ingredientes e modo de fazer. O autor da receita - com certeza um chefe de cozinha 'de mão cheia', com ares de historiador - descrevia também a origem do prato e dos ingredientes. Segundo ele, o Mulato Velho é uma comida típica muito antiga e que retrata a união gastronômica das cozinhas portuguesa e africana. E que usava no lugar do irmão 'chique', o bagre de água doce, defumado e salgado. De carne macia e quase sem espinhas, o mulato também tinha e tem o seu valor."

Diagramação do Livro
Frente aos fatos, a Michelle começou a realizar inúmeras pesquisas sobre as culturas africanas, portuguesa, sobre o Brasil Imperial, pesca, brinquedos antigos, etc. Com tantas investigações, surgiu um enredo maravilhoso com ar de poesia e historicidade. A poesia fica por conta das emoções que a leitura nos causa. O livro fala diretamente ao coração.
A historicidade pode ser percebida, quando sentimos que os elementos narrativos não parecem com uma obra de ficção. A construção literária de Michelle fez-me acreditar que eu me encontrava com personagens históricos que deram origem ao prato "Mulato Velho".
O protagonista Bobo (aquele que nasceu em uma terça-feira), descendente de africanos e ex-quilombola, pareceu-me tão real que acabei questionando a autora: "Ele existiu?" A resposta foi: "Sim, ele existiu em ....". Não vou contar para vocês o que ela respondeu (risos).
Detalhe da Orelha de Capa
Além de criar uma história espetacular sobre a origem do prato "Mulato Velho", a autora tratou de temas como o preconceito, ecologia, etc.
A narração de Michelle é perfeita, ela descreve os cenários de forma que enxergamos cada detalhe dos lugares e experimentemos a sensação de estar neles:

"A Casa Grande possuía muitos quartos com amplas janelas e beirais pintados em azul além-mar, travando um bonito contraste com a pintura alva das paredes. O telhado era de troncos de maçaranduba-madeira, fortes o bastante para suportar o peso da cobertura de telhas moldadas em barros, feitas sobre as coxas dos escravos e que as conferiam uma forma peculiar. E foi daí que surgiu a expressão 'fazer nas coxas', até hoje utilizada."

Informações sobre a obra na orelha da Contracapa
Vocês, que me acompanham, devem estar percebendo que eu me detive em aspectos literários da criação do opúsculo e alguns elementos narrativos. Sobre o enredo em si, nota-se um processo de fuga (risos). Na realidade, não quero falar muito do enredo. Só vou mencionar algumas coisas: o livro nos explica sobre a origem do prato "Mulato Velho" e trata sobre a figura do Boto presente na capa. Diga-se de passagem que o Boto é muito importante na história.
Nesse momento, vocês devem estar me perguntando: "Mas por que fugir de falar sobre o enredo?"
A resposta é que encontramos alguns mistérios que são gostosos de serem desvendados. Eu amei o elemento surpresa do livro. O meu encantamento pela obra foi conhecer os passos da criação de uma receita e descobrir o que representa o golfinho no contexto.
Mas posso adiantar que o final do livro me fez chorar e aplaudir a autora. Michelle Paranhos é um dos grandes talentos da Literatura Brasileira. Pena que não tem o devido reconhecimento. Para esse magnífico livro, dei CINCO ESTRELAS no Skoob


Vou deixar um link para que vocês entrem em contato com a autora e possam adquirir um exemplar da obra.
A obra também pode ser encontrada na Amazon. Garantam o e-book, cliquem na figura abaixo:


Abraços e até breve.

4 comentários:

  1. deixou um gosto de quero saber mais,exelente a resenha,e uma visão estraordinaria na publicação.

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  2. Excelente a sua resenha Fernando! Parabéns à autora pela obra, forte abraço!

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    Respostas
    1. Obrigado, meu amigo!!!
      Sua visita muito me alegra!!!

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