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quarta-feira, 20 de julho de 2016

Resenha: O Estranho, de Ademilson Chaves, Editora Tribo das Letras

Olá, Galera!!! 
Trago para vocês uma resenha bem estranha para condizer com o título da obra. Não sabem de qual livro estou falando? Falo de “O Estranho”, de Ademilson Chaves, uma publicação da Editora Tribo das Letras. 
Por causa do título da obra, optei em realizar uma escrita estranha, totalmente diferente daquilo que costumo fazer. Não haverá um texto coeso e linear. Vocês encontrarão fragmentos reflexivos a respeito do opúsculo. Terão minha análise em diversos pedaços. Peguei minhas ideias e as dividi em partes menores. Lancei-as sem me preocupar com o rigor lógico; entretanto, o fragmentário alcançará a perfeita união no cérebro dos leitores. Tal capacidade da atividade cerebral humana não é nada estranha. A criatividade organiza tudo e produz o entendimento. Parafraseando uma canção, diria que “me fiz em mil pedaços, pra você juntar”. Só que aqui, os pedaços são constituídos pelas minhas observações. Juntem os fragmentos, preencham as lacunas e compreenderão a magistralidade do livro. 
Lombada do livro
O ser humano não é lógico no seu agir, não cabe em uma equação matemática. A vida humana parece um texto mal redigido; onde introdução, meio e fim não fazem sentido algum. O rigor da logicidade cede lugar ao absurdo. Eis o sentido de agir estranhamente. Talvez a incompreensão seja o fardo que eu carregarei no corpo desse texto. 
Antes de mais nada, ensaio um resumo da história. Júlia, uma linda mulher, passa por crises em seu casamento. Em meio às crises, surge um Estranho que mexe com seus sentimentos e abala sua vida em todos os sentidos. O que ela desconhece é o fato da existência de um grande crime na vida de seu marido. Após a revelação do fato hediondo, fica a dúvida de quem é realmente estranho em sua realidade. Sobre o resto da trama, não mencionarei mais detalhes. A partir de agora, deixo minhas pinceladas sobre o livro que considero ser o melhor de todos escritos de Ademilson Chaves
"O meu olhar masculino..."
Começo pela capa. O meu olhar masculino, ao se deparar com ela, fez-me enxergar uma mulher atraente e “gostosa”. Senti desejos carnais pela figura estupenda, porém ao mergulhar no psicológico dela tão bem descrito por Ademilson, percebi que toda aquela farta beleza de nada servia à personagem. Júlia, a protagonista tornou-se escrava de sua bela aparência; e aquilo que aguçava meus desejos, transformou-se em um sentimento de compaixão. Apaixonei-me por ela, e isso é verdade. Entretanto, meu amor ficou menos carnal e mais voltado para sua alma. 
O opúsculo não parece ser narrado por um homem. Nós, “os machos”, não costumamos a nos atentar a certos detalhes da vida. Existem coisas que somente as mulheres percebem e os homens passam batido. 

“Júlia sorriu amavelmente e aproximou-se, olhando a filha no colo de Ema, sugando o leite na mamadeira. A criança abriu os olhos para ela, interrompeu sua mamada e estendeu a mãozinha gorda. Júlia ainda sorrindo, tocou a mãozinha da menina, imaginando como poderia uma criatura tão pequena lhe dar tanta força para continuar a viver.” 

Contracapa do livro
Diria que o autor deve ter uma mulher dentro dele bem construída, por observar certas cenas que o seres masculinos deixam de lado. Escrever uma história, de certa forma é considerado uma atuação. Autores interpretam seus personagens no teatro chamado livro. Chaves usou sua maestria para escrever a obra. A conceituação de maestria deriva do sânscrito "mah" que significa - maior. A maestria implica em não só fazer o que se sabe para produzir resultados, mas ir além, dominando os princípios subjacentes ao resultado. Mesmo realizando uma narração em 3ª pessoa, ao falar de Júlia, fez com tanta singularidade, que criou a impressão de estarmos diante de uma narração em 1ª pessoa. Não se duvida de sua capacidade, o literato revela perfeitamente a alma feminina. Pensando na Psicologia Junguiana, afirmo que ele deixou aflorar sua Anima e eis que surge a feminilidade acerbada em seu opúsculo. Poucos homens conseguem tal façanha devido à inúmeros bloqueios. Ademilson Chaves é seguro em sua personalidade masculina e não teme em expor sua intuição feminina. Autores assim conseguem fazer com que as leitoras desejem ler até sua lista de compras.
Certa vez, li o texto abaixo em um perfil do facebook: 

 “Nada mais contraditório do que ser mulher. Mulher pensa com o coração, age pela emoção e vence pelo amor. Que vive milhões de emoções num só dia e transmite cada uma em seu único olhar.”

Orelha de capa
Ademilson conseguiu transmitir com propriedade tal característica da alma feminina. Se as narrativas sob as perspectivas femininas são perfeitas, não posso deixar de mencionar que personagens masculinos se igualam nessa perfeição. O marido André e o estranho Danilo iconizam a masculinidade na dialética perfeita entre o bem e o mal. 
O psicológico dos personagens é bem delineado. O autor aprofundou-se em cada aspecto fazendo-nos sentir cada sensação presente na interioridade deles. Em alguns momentos, o escritor em vez de descrever o psicológico diretamente de seus personagens, traça as ações deles para entendermos o temperamento de cada um. As ações falam por si. Captamos a bondade e a maldade de cada figura humana que transita no enredo. 
Se vocês entenderem o sentido dessa grafia, compreenderão o sentido mais profundo da obra “O Estranho”, de Ademilson Chaves. O livro nos revela que o ser humano está fadado à ações equivocadas sem lógica alguma. Torna-se difícil traduzir os movimentos humanos. Pessoas sofrem, porque compõem o enredo de sua vida com atos impensados. O equívoco é algo nato na estrutura de pensamento. O autor transmitiu sua genialidade em uma trama que mostra todas as estranhezas da humanidade de forma condensada e alegórica. Comportamentos confusos com toque de realismo fazem parte do cerne do enredo. 
Orelha da contracapa
“O Estranho” nos leva a confrontar-nos com o que há de mais estranho na raça humana. Todos nós carregamos nossas estranhezas. E por isso, agimos de maneira equivocada o tempo todo. Desejamos algo e atuamos contrariamente em relação às nossas vontades. 
Alguns livros trazem tanta riqueza em suas páginas, que é praticamente impossível fazer uma leitura corrida. Necessitamos parar em cada linha para refletir sobre a sabedoria que se expressa. O presente opúsculo traduz essa verdade com muita propriedade. Tal obra não pode ser apenas lida, merece um estudo aprofundado para captarmos a plenitude de sua essência. Friso que o enredo merece ser analisado minuciosamente e pode ser útil para estudantes de psicologia e até mesmo de filosofia. Está em meus planos reler “O Estranho” e estudá-lo. Creio que a profundidade psicológica serve como um grande manual de compreensão da humanidade. 
O autor trabalha a mente humana em toda sua potencialidade. Frequentemente, vemos a protagonista refletindo sobre pensamentos alheios ao contemplar cenários que cercam sua vida; e a partir desses eixos reflexivos, ela se volta para sua vida e tira conclusões sobre o que faz de certo ou errado. Os pensamentos divagam pelo sensorial e o abstrato constantemente. 
Diagramação do Livro
Pensamentos hipotéticos perfazem a trama o tempo todo. Júlia estabelece hipóteses para diversos momentos de sua vida. Medita sobre “e se isso ou se aquilo”. Algumas vezes concluí; em outras, não se sabe qual é a melhor possibilidade. 
A linearidade da obra fascina o leitor. Chaves tem um fio condutor bem claro em sua teia textual. Entretanto, ao mesmo tempo que ele prossegue nesse fio, sabe olhar para os lados e visualizar outros contextos em seu enredo. É como se andássemos de trem e contemplássemos as paisagens através das janelas. O autor mineiro nunca perde o trem de sua narrativa; e por isso, anda bem seguro sobre os trilhos daquilo que deseja nos contar. 
Os livros expressam alegorias da realidade humana. Autores transmitem ideias e expressões do mundo real de maneira a passar para o leitor várias mensagens que provém da interpretação que a sociedade faz de sua cultura. Sendo a personalidade de Ademilson Chaves fruto de uma cultura, notamos que sua trama traz contornos nítidos de regionalismo, ou seja, os hábitos e costumes de Minas Gerais transparecem nas páginas de seu opúsculo. Tal característica merece louvores. 
Os vocábulos do livro são bem simples. A leitura se torna de fácil compreensão. Algumas pessoas tendem a acreditar que uma linguagem rebuscada agrega grande valor literário a uma obra. Ademilson com sua simplicidade comprova que tal teoria não remete à verdade. Com uma linguagem simples, temos uma leitura profícua, cuja incomensurabilidade textual arrebata o leitor como se fosse uma espécie de feitiço. 
Livro Autografado
Há uma repetição constante do termo estranho e seus derivados nessa obra. Diria que ocorre demasiadamente. Em outros livros, apontaria isso como um defeito. Todavia, nesse opúsculo, devido ao título, tais repetições fazem sentido, dando maior qualidade ao texto. 
Existem muitos pontos positivos e interessantes na escrita “chaviana”. O autor coloca elementos dentro da narrativa que, se fossem tirados, não fariam falta dentro do enredo para compreendê-lo. Entretanto, seu jeito apaixonante e envolvente de narrá-los fazem com que desejemos saborear cada situação, como se tivéssemos um prato cheio de vitaminas e os elementos fossem o tempero a dar sabor ao prato chamado livro. 
Algo que percebi na escrita de Ademilson, tanto nessa obra bem como em outros textos: é uma certa dose de violência. Vemos crimes, mortes, etc. Depois partimos para a leitura de um processo investigativo. Percebo que muitos leitores brasileiros apreciam tramas com tais características. Por mais que tenham desejos de paz, também tem sede de sangue. E os livros satisfazem a necessidade com segurança. Contemplam a violência, saciam sua sede, enquanto as mortes e maus tratos não ocorrem de fato. 
Outro ponto bem interessante nas tramas “chavianas” é a religiosidade como dado inerente. O escritor sempre traz cenas católicas em seus livros. Estranho seria não haver nenhuma situação de cunho cristão em seu opúsculo devido à bagagem religiosa que o autor traz. Para quem não sabe, ele já foi bastante atuante na Igreja Católica. Grandes autores trazem temas recorrentes em seus enredos. Ademilson, sendo um autor de grande porte, não seria diferente. Seus livros abordam assuntos similares sem cair na mesmice. Ele dirige seu leitor para enxergar um mesmo tema sob diversos pontos de vista. O limitado alcança expansão e converte-se em ilimitado. Não existe o fim das possibilidades, tudo ruma para o infinito. 
Para tal livro, concedo milhões de estrelas. No Skoob, utilizei a classificação máxima de CINCO ESTRELAS, que infelizmente não faz jus ao grande valor literário do opúsculo. “O Estranho” é o enredo que se assemelha ao céu com infinitas estrelas, trazendo o brilho do sucesso. 
Em uma resenha, as pessoas esperam um texto conexo, coesivo, bem estruturado, pautado em rigores lógico, sem repetições desnecessárias. Como vocês viram e eu mencionei no preâmbulo, optei em não seguir tal processo descritivo, pautei-me em observações soltas, pois elas espelham a mensagem encontrada no opúsculo. Acredito que os leitores com alma filosófica entenderam o porquê de tal opção. 
Para as pessoas que enxergaram logicidade em meu texto, mesmo quando digo que não há, posso afirmar que isso ocorre, pelo fato de reproduzir em meus traçados o comportamento humano. Fazemos coisas ilógicas que parecem lógicas dentro de nosso alcance cerebral. Espero que me entendam. 
Frente à profundidade da obra, ficou praticamente impossível detalhá-la com a qualidade merecida. Arrisquei-me em dar pequenas pinceladas a respeito de uma leitura tão nobre. Todavia, creio que cumpri o papel de revelar aos meus leitores a grandiosidade de uma trama tão bem elaborada. 
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Espero que vocês tenham gostado dessa resenha, deixem suas opiniões nos comentários. 


Abraços e até a próxima postagem.

12 comentários:

  1. Muito boa a resenha Fernando, algo realmente excepcional a forma que você utiliza para dar suas opiniões!

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    1. Obrigado, Brendo. Um elogio vindo de um resenhista tão talentoso como você deixa-me feliz. Suas resenhas são estupendas. Creio que Ademilson deveria realizar uma parceria com você. Seria extremamente profícuo para os dois.

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  2. Opaaa!! Adorei ler e saber que alem do livro "A escolha de Eron" meu querido amigo Ad tem mais diferentes exemplares <3 Gostaria muito de ler esta obra me deixou mega curiosa para ir afundo.

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  3. Para mim, esse é o melhor livro de todos.
    O Adezinho soube criar um enredo bastante reflexivo!!!

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  4. Fernando, li a resenha varias vezes e durante as leituras fiz pausas reflexivas, desejando saber se o filósofo estava realmente falando da minha humilde pessoa kkkkkk Não imaginei que O Estranho poderia ter tantas qualidades. Quando você menciona que o livro deveria ser estudado, perturba-me a ideia, uma vez que escrevi essa trama há algum tempo, talvez em um momento difícil da minha vida, onde eu escrevia por diversão, eu sentia prazer em tramar as histórias a fim de descobrir a que caminhos minha mente me levaria. Então, descobri que escrever me alivia, me dá enorme prazer, e se tornou um hobby, onde escrevo sem compromisso. Talvez esteja aí o segredo. Meu ilustre amigo, suas palavras são como prêmio para mim. Ao ler isso tudo aqui descubro que valeu a pena ter criado essa trama. Aproveito para agradecer sua sinceridade e dizer que você faz um belo trabalho em prol dos escritores nacionais. Abraço.

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    1. Ademilson, saber que você apreciou minha resenha, deixou-me imensamente feliz. Sinto-me feliz também por tê-lo como amigo. Já li outros livros seus e esse, sem sombra de dúvidas, é o melhor de todos.
      Apaixonei-me pela trama. Quero estudá-la com maior profundidade.

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  5. Toooop resenha Fernando, parabéns!! Outro grande sucesso do Ad que já arrasa como A Escolha de Eron.

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    1. Cristy, o livro é um arraso mesmo. Ademilson Chaves se superou!!!

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  6. Fernando do céu, que resenha MARAVILHOSA! Mas eu já esperava, pois a obra é tão SENSACIONAL quanto. O Ademilson entrou para lista dos meus autores TOP, espero de coração que uma grande casa editorial conheça e publique um trabalho dele. Afnal, o mundo precisa conhecer os seus escritos.

    Abraçossss

    Simone Pesci

    http://simonepesci.blogspot.com.br/

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  7. Que honra receber o elogio de uma resenhista e autora avassaladora, estonteante e talentosa!!!

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  8. Gostei muito da resenha, deu pra ver que é um livro incrível, superbem escrito e original!!
    Assim que der, comprarei o meu!!
    bjsss
    Ana,
    elvisgatao.blogspot.com

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