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quarta-feira, 24 de agosto de 2016

O espantalho

 Olá, leitores do Filósofo dos Livros! Tudo bem com vocês? 
A melhor coisa que eu fiz nos últimos tempos foi fazer este projeto com o Fernando Nery, em trazer uma explicação teórica sobre subdivisões fantásticas e depois trazer um conto, pois estou sempre aprendendo e escrevendo estilos que nunca havia pensado. O de hoje mesmo é um e foi bem difícil, espero que gostem do Fanfic baseado em uma história que fez parte da infância de muita gente, inclusive a minha... Abraços a todos.

O espantalho
Mais uma carroça passava ao longe. Como sempre os cavalos o olharam assustados. O efeito que Toby conseguia mesmo estando tão longe era impressionante. Virou novamente sua cabeça para o norte e voltou à posição da qual era fadado a permanecer por toda sua existência.
O tempo começava a se fechar naquele final de tarde e um vento um pouco mais forte já balançava as folhas da plantação. Toby abaixou a cabeça, teria que torcer para que o grande chapéu protegesse seu rosto e impedisse que toda a sua palha não se espalhasse em meio à plantação, isso se o vendaval não abrisse os botões de sua camisa e a sua vida inútil e sem propósito tivesse um final precoce. Mas se chegasse ao fim, que mal faria? Não havia muita esperança em melhorar seus dias...
Toby nem ao menos se lembrava em como veio parar aqui, desde sempre se lembrava do pequeno lago sempre próximo ao seu lado esquerdo e da pequena estrada que fazia a ligação da fazenda de seu senhor até a cidade mais próxima. Todos os dias em que o sol estava muito quente, seu senhor vinha até a plantação, abria a portinhola de madeira e com a ajuda de um pequeno balde molhava a terra e refrescava o calor que poderia matar a pequena plantação, já em dias como aquele em que uma pequena chuva se fazia presente por quase todo o dia, ele permanecia sozinho olhando inutilmente a plantação de hortaliças, dias e noites sem fim. Não havia muito o que fazer ali, pássaros não apareciam com a intenção de comer as plantas ou fazer ninhos por perto, ladrões também não se interessavam pelas plantas e muito menos pelo casebre de barro e palha de seu senhor.
Então, Toby sonhava acordado. Pensava em se tornar um homem real, queria poder correr pelo gramado, sentir o vento batendo em sua pele e balançando seus cabelos, queria sentir o cheiro de uma torta recém saída do forno e depois poder saboreá-la.
Um vento muito mais forte que o habitual interrompeu bruscamente seus pensamentos e o solitário espantalho sentia a força do vento puxando seus braços para o lado, a tira que prendia seu chapéu à cabeça começou a ceder ante a força da ventania e ele fazia o máximo de força que conseguia com seu pescoço de palha para mantê-lo no lugar.
Puxou o máximo que pode o seu corpo para a esquerda e dobrando o braço em sentido oposto ao grande suporte de madeira em que era amarrado conseguiu soltar seu braço direito. Tentou desamarrar o braço oposto e assim talvez conseguiria soltar seu tronco e pernas, mas o vento estava muito forte e seus dedos de palha não eram tão ágeis. As cenouras e alfaces começaram a se soltar do chão e a se entregar à força do vento que começava a se tornar mais forte a cada instante.
A base de madeira que prendia Toby ao chão começou a se tornar menos firme a pender para um dos lados, agora já com as duas mãos soltas o espantalho desamarrou seu tórax da base de madeira e tentou se abaixar para soltar suas pernas, mas a base de madeira se soltou do buraco que o prendia e caiu ao chão.
Ainda conseguiu se esticar o máximo que pode e segurou em uma das hastes da cerca da plantação de hortaliças que tomou conta por toda a sua vida. Mas, a única tira que prendia seu chapéu não conseguiu mais aguentar e rasgou. A palha que formava a sua cabeça começou a se soltar e os pensamentos de Toby tornaram-se confusos e desconexos. Toby não conseguia mais pensar... Não havia mais opções, se continuasse se segurando a cerca teria sua cabeça desmontada pelo vento, se soltasse a cerca provavelmente sua roupa se abriria e sua palha se espalharia por toda a fazenda...
Não tinha mais o que fazer, soltou a cerca e com as duas mãos soltas protegia sua cabeça e tórax, curvando-se sobre o abdome. Sentiu a força descomunal do vento o arrastar para cima e o puxar bruscamente para um dos lados, seu dorso batia na haste de madeira que o sustentou por alguns anos e deformava seu frágil corpo de palha de forma cada vez mais forte, então a base se soltou e Toby foi tragado pelo vento...
Já no interior do furacão perdeu um pouco de palha e sentiu pela primeira vez em tanto tempo de vida uma liberdade nunca experimentada. O chapéu voou em sua direção, Toby esticou seu braço e o apanhou com as duas mãos, o posicionou na cabeça e o segurou com o máximo de força que conseguiu.
Olhou para baixo e viu que a pequena fazenda de seu senhor ficava para trás, o telhado de palha do casebre de barro também fora arrancado pelo furacão e o homem que fora o único contato que tivera com pessoas reais em toda a sua vida corria para fora da casa, tentando salvar o pouco que lhe restava.
Toby olhou para cima e o turbilhão de terra e vento o deixou desorientado, perdeu a noção do tempo que estava dentro do furacão, viu que o cenário por trás do vento começou a mudar, árvores com grandes copas e lagos tornaram-se visíveis... Por fim o vento cessou e Toby sentiu o incômodo efeito da palha balançando por todo o seu corpo enquanto caía... Uma grande estrada amarela se aproximava cada vez mais rápido e o espantalho sentiu o impacto dos tijolos amarelos.
***
- Toby... Acorde... Toby... Vamos, temos que seguir até o mágico...
Ao abrir seus olhos a doce garotinha do Kansas dançava com o homem de lata que precisava de um coração... O espantalho se levantou e ajeitou a palha no interior de sua camisa, ergueu a cabeça e ajeitou o chapéu...
- Vamos, agora estou pronto...
- Aquele sonho de novo, Toby? – O homem de lata questionou.
- Sempre o mesmo...

6 comentários:

  1. Allison, você foi muito criativo. Gostei demais de seu conto. Meu amigo, você está de parabéns!!!

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    1. Obrigado Fernando, esse foi mais dificil! Hahaha... Fico feliz que tenha gostado!

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