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sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Bjorn

Olá leitores do Filósofo dos Livros, tudo bem? Espero que sim... Hoje trago um conto sobre espada e feitiçaria. No post de hoje vocês irão acompanhar as aventuras do jovem Bjorn em sua busca pelo poder, espero que gostem e até a próxima semana. Grande abraço!!!

Bjorn
O cavaleiro atacou com toda a força mais uma vez. Seus movimentos eram muito mais lentos do que estava acostumado, talvez o peso da armadura fizesse muita diferença. Desta vez a espada acertou o braço de Bjorn de raspão. O jovem guerreiro gritou de dor no momento em que a lâmina rasgou sua pele e formou uma grande fenda ensanguentada.
Com o braço esquerdo doendo e escorrendo muito sangue, o viking não teve alternativa e mudou o machado de mão. Seu braço direito era fraco e impreciso se comparado ao outro. Mas se quisesse sair vivo daquela batalha não tinha opção, ou tentaria lutar com o braço mais fraco ou morreria tentando segurar o machado que escorregaria no sangue da sua mão.
Seus irmãos saqueavam impacientes os corpos dos defensores da cidade enquanto aguardavam a luta de Bjorn terminar, só então invadiriam o grande castelo de pedras brancas. Essas eram as ordens do lorde. Ninguém entraria sem o filho de Thor.
O cavaleiro levantou a espada novamente e com uma força descomunal golpeou em direção a Bjorn. O jovem viking se esquivou de forma curta e então se jogou de encontro à espada surpreendendo o adversário, que ainda tentou de forma inútil erguer a arma.
Bjorn, com toda a força que conseguiu no braço direito ergueu o lado mais afiado do machado no ponto da armadura que fazia a junção do braço com o tronco, ouviu o ruído metálico do fio do machado se chocando com a cota de malha do inimigo. Além da armadura, o desgraçado estava com uma cota de malha que o protegia de golpes onde a armadura não cobria. Por este motivo ainda era o único cavaleiro em pé naquela maldita planície escorregadia.
- Vamos Bjorn.
- Acabe logo com isso, senão iremos entrar na luta. – Seus companheiros estavam impacientes. Bjorn quase nunca demorava nas batalhas e aquilo estava os irritando, além do mais sabiam que mais nada protegia o tesouro no castelo branco.
O cavaleiro conseguiu empurrar Bjorn com o braço não dominante e se virou para impulsionar novamente a espada, sabia que morreria mesmo que matasse o jovem guerreiro, havia centenas de vikings e esta era a maior invasão ao reino dos brancos que já vira. Não conseguiria sair vivo, mas resistiria até o fim.
Como um raio, Bjorn pulou sobre o cavaleiro e com o braço escorrendo uma grande quantidade de sangue, tentou achar o ponto onde destravaria o elmo, o homem soltou a espada e tentava inutilmente proteger a sua cabeça das mãos habilidosas do garoto.
Bjorn enfim destravou o elmo e o arrancou, lançando-o longe. Os olhos assustados do cavaleiro o encaravam e de forma inútil, ainda tentava arremessá-lo para longe de sua armadura.
O jovem viking ergueu seu machado e com um golpe único enfiou-o com toda a força na cabeça do cavaleiro branco. O homem caiu sobre suas pernas e quase esmagou o Bjorn sob o peso de sua armadura de aço.
Com mais quatro golpes de machado, Bjorn separou a cabeça rachada do homem de seu grande corpo e a ergueu acima de sua altura, mostrando a todos os sobreviventes o motivo de ser considerado um dos filhos de Thor.
Os homens gritaram e ergueram seus machados, como sinal de vitória, então começaram a correr em direção ao castelo...
“Você está bem? Achei que não iria conseguir desta vez...” A voz surgiu em sua mente como um trovão...
- Eu sempre consigo...
“Não seja tão arrogante Bjorn...”
- Sou seu filho, deveria esperar por isso, não é?
“Vá agora, sabe o que tem que fazer...”

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Nash sabia que seus homens perderiam, estava escrito nas runas. O exército branco cairia sob o machado do filho do deus pagão antes mesmo do nascer do sol.
A feiticeira se levantou e apanhou os frascos com o sangue dos dragões, saiu da grande sala do tesouro do castelo e se encaminhou até a sala onde os livros sagrados ficavam guardados.
Os bárbaros poderiam levar as taças de ouro e os símbolos sagrados de prata, mas se levassem as inscrições poderiam vencê-los de outras formas, poderiam até mesmo trazer seus deuses pagãos para esta dimensão e isso Nash não podia permitir.
As vozes e os passos dos bárbaros estavam cada vez mais perto, a feiticeira entrou na biblioteca do castelo e se aproximou da prateleira do fundo, tocou as pedras na sequencia certa e de forma mágica uma porta se abriu em meio às pedras. Nash entrou pela passagem e já do outro lado fechou a passagem.
- Ilumina... - pronunciou a palavra mágica e algumas velas se acenderam, iluminando a escadaria para o caminho até o salão secreto.
Desceu os degraus de pedra com cuidado para não derrubar os três frascos com o sangue dos dragões. Podia ouvir toda a algazarra e quebradeira que os bárbaros estavam fazendo ao invadir o castelo. Os gritos das mulheres e dos sobreviventes eram tão altos que Nash os ouvia já debaixo do castelo, não podia intervir ou revelaria a localização das escrituras, ainda mais se o jovem guerreiro fosse mesmo o filho de quem falavam.
Conforme descia os degraus percebeu que também havia barulho na sala secreta. Nash a protegia desde o seu sétimo aniversário, quando fora nomeada uma aprendiz de feitiçaria pelo sumo sacerdote do castelo.
Passou a mão pela parede de pedras e uma pequena abertura se fez. Colocou os três frascos e passou a mão novamente sobre o buraco. As pedras se juntaram novamente, a proteção mágica deixaria os frascos incógnitos aos olhos dos inimigos.
Entrou no pequeno salão e viu o jovem guerreiro derrubando alguns frascos das prateleiras. Seu braço sangrava e sua pele parecia muito pálida e úmida. Estava morrendo...
- Como conseguiu entrara aqui? Você é Bjorn?
- Thor abriu o caminho. – O garoto apontou para uma grande abertura nas pedras brancas. – Sim, eu sou Bjorn e acho que você sabe porque estou aqui, não é feiticeira? É melhor me entregar os livros.
Nash fechou os olhos e pronunciou algumas palavras, duas bolas azuis de magia surgiram pairando sobre suas mãos.
- Eu acho que não.


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