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domingo, 26 de fevereiro de 2017

Rua Nuvem de Estrelas, de Max Belzareno, Chiado Editora

Certa noite, adormeci. Sonhei com o autor Max Belzareno. Ele não me via. Parecia um tanto agitado. Perambulava de um lado para o outro dentro do seu quarto.
Sentou-se em uma cadeira frente a uma escrivaninha. Começou a escrever em um caderno. Lia, relia, arrancava as folhas do caderno e as jogava em um cesto de papeis. Parecia que sua escrita inicial lhe causava um certo desgosto.
De repente, ele parou. E colocou sua mão direita no lado esquerdo do peito. Contemplei uma cena bonita e ao mesmo tempo chocante. A mão direita de Max rasgou o seu peito e dele retirou seu coração. Pegou o seu coração vivo e pulsante e o pôs sobre o caderno.
Olhou para o teto de seu quarto que, imediatamente, desapareceu. Levantou os seus braços e com as duas mãos, foi colhendo as estrelas do céu. Eram tantas estrelas colhidas que elas formaram uma nuvem. Pegou a nuvem e a colocou também sobre o caderno. Derramou suas lágrimas sobre as coisas encontradas acima da escrivaninha.
E foi assim que nasceu a obra "Rua Nuvem de Estrelas", que revelava  o coração de Max reunido com o brilho das estrelas e as lágrimas de suas emoções mais sublimes.
Acordei e relembrei a leitura encantadora que foi esse livro.
Olá, Galera Literária!!!
Com meu coração na mão, venho trazer a resenha de Rua Nuvem de Estrelas, de Max Belzareno, uma publicação da Chiado Editora.
É o segundo livro do autor que leio (clique aqui para ler a resenha do livro anterior). A obra é verdadeiramente tocante e carregada de reflexões, trazendo uma mistura de suavidade e força.
Senti um pouco de tristeza diante de algumas cenas. Esse sentimento não representou algo negativo, pois foi a demonstração de que não me sinto satisfeito  com algumas coisas desse mundo.
Rua Nuvem de Estrelas retrata uma realidade infeliz, mas trazendo esperança para aqueles que não se conformam com as agruras desse planeta.

"A Rua denominada Nuvem de Estrelas era o típico lugar em que os vizinhos conviviam pacificamente. Mas isso se dava pelo simples fato de que os vizinhos raramente conversavam. A grande maioria parecia estar sempre e tão envolta em suas rotinas particulares que não demonstravam interesse de entrosamento."

A citação acima se encontra no início do primeiro capítulo e reflete o quanto o ser humano permanece isolado com medo de enfrentar o confronto de opiniões, acreditando que a ausência de conflitos seja a fórmula do amor e da paz.
As pessoas sentem uma espécie de pavor diante do diferente. Por causa desses temores, perdem as alegrias de relacionamentos amistosos e amorosos. É cada um por si, encenando uma felicidade inexistente. Acreditam que sem a dor presente no amor, a vida será bem melhor. Esquecem que algumas dores são o vinagre temperando a Salada da Vida. Viver sem dor traduz o vazio da existência. Os pequenos confrontos se tornam o caminho rumo à Felicidade. Quem tem medo da dor não vive, apenas vegeta.
A abertura do segundo livro de Max nos remete às falhas decorridas pelo isolamento nascido a partir do medo de enfrentar as dores das vivências humanas. Tal conclusão encontra-se em cada página da obra. O autor introduziu o tema do sofrimento em sua obra com maestria por meio da citação inicial.
Na Rua Nuvem de Estrelas, habitam Mario e Luigi que descobriram a existência do amor entre dois homens, um amor puro não baseado em sexo, mas em verdadeiros sentimentos de afetividade.
O mundo atual carece do amor inocente e cheio de vida. Nosso mundo desacredita em relações cheias de sentimentos nobres. O mundo jogou esse amor para dentro dos livros de contos de fadas. Max com sua escrita suave vem demonstrar que o mais nobre dos sentimentos não é uma quimera, um monstro capaz de destruir os seres humanos. O amor é a dor que renova nossas forças, trazendo paz e alegria ao espírito.
Os protagonistas compreendem o sentido do amor, porém perceberam os preconceitos alimentados pelas almas fracas. Eles se amam, porém escondem o que sentem diante das pessoas.
No meio de uma história de disfarces, encontram Dona Zulma Lobato, uma idosa que a princípio se choca ao descobrir o amor desses jovens, mas depois se torna o grande apoio e incentivo para a vivência do sentimento.
Encorajados, resolvem assumir esse amor. É verdade que Mario não foi tão corajoso assim, mas revelou o que sentia para sua mãe, mesmo receoso frente à reação dela. A partir daí, vemos um enredo carregado de lutas contra a violência psicológica causada por essa mulher.
A mãe de Mario é uma criatura fechada, dura e insensível. Algumas vezes, até usa de violência física contra os jovens. O papel da doce velhinha se torna importante apoio para esses garotos brutalmente incompreendidos.
Rua Nuvem de Estrelas transparece o coração angustiado do autor insatisfeito com os preconceitos existentes. É notório que, por meio dessa escrita singela, Max revela suas inconformidades perante certas barreiras presentes na atualidade.
Comparado ao primeiro livro intitulado Inesquecível, a segunda obra traz um estilo suave ao descrever as cenas. Há um certo toque mais carregado de romantismo, um ar shakespeariano quando se refere ao conjunto de princípios que valorizam as ações humanas e valores morais ao mostrar o quanto os seres humanos devem fazer pelo amor.
A respeito da suavidade, não se iluda. Os questionamentos propostos são fortes e nos fazem pensar o quanto deixamos de lado as coisas mais importantes de nossa existência.
Com um enredo totalmente diferente, o autor me fez relembrar de outras meditações que tive ao ler uma obra famosa intitulada Olhai os Lírios do Campo, de Érico Veríssimo. Não pretendo estabelecer toda a riqueza de comparações entre os dois livros, entretanto posso dizer que ambos os escritos têm cenas ditadas ao ritmo de cartas. Creio também que Rua Nuvem de Estrelas é uma obra que se manterá imune a ação do tempo, pois seu enredo palpitante é uma história carregada de valores muitas vezes esquecidos como a coragem de amar e de encarar os conflitos presentes nas relações humanas. Trata-se de um livro cuja leitura profícua nos ensina: "Não custa sonhar, desde já. Já vamos nos preparando para isso. Sonhar é de graça. Vamos sonhar alto. Os sonhos nos salvam."
Classifiquei a segunda obra de Max Belzareno com CINCO ESTRELAS no Skoob, além de favoritá-la.


Como os dois livros de Max Belzareno são obras excelentes, deixo o link de compra de cada um deles, basta clicar nos títulos abaixo para adquirir os seus exemplares:


Nos comentários, deixem sua opinião a respeito da resenha. Depois que lerem as obras de Max, voltem aqui para dizer o que acharam delas.
Abraços e até a próxima postagem.

2 comentários:

  1. Cada vez que leio uma resenha tua, Fernando Nery, fico boquiaberta com tua sensibilidade e delicadeza, ao escrever com tanto cuidado e elegância a tua compreensão sobre cada livro que comentas. Realmente, estás a construir, com o papel literário e social que vens desempenhando, uma nova geração de críticos literários. Uma geração que acolhe e incentiva a produção literária, seja de jovens autores, seja de escritores já aclamados pelo público. E é isso que, nós, leitores, estávamos precisando: alguém que nos indique novos e velhos caminhos literários, mas que nos leve pela mão, a nos mostrar o quão lindo e encantado é esse mundo da leitura. Tenho a dizer, Fernando, que estás a inaugurar, brilhantemente, uma nova fase da crítica literária brasileira.
    Quanto aos livros do escritor Max Belzareno, amo demais e nem teria palavras mais exatas e bonitas que as tuas para descrevê-los. Já fizeste isso a propriedade de um profissional e a emoção de um leitor. Estou aguardando ansiosa a chegada do terceiro livro dele, provavelmente ainda em 2017. E, com ele, a tua resenha maravilhosa. Beijos!

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    Respostas
    1. Muito Obrigado, Marcia.
      Para uma resenha ficar bonita, basta ter um livro magnífico em mãos. Eu tive a grata honra de ler duas obras estupendas escritas pelo Max.
      Terceiro livro? Já estou no aguardo. Com certeza, vou resenhar mais uma obra desse autor que admiro muito.
      Beijo no coração!!!!

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