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quarta-feira, 29 de março de 2017

Misery: Louca Obsessão, de Stephen King, Suma de Letras

Olá, Galera Literária!!!
Finalizei a leitura de Misery, de Stephen King, uma publicação da Suma de Letras. A obra pode ser resumida em uma única palavra: violência. Infelizmente, percebi que o texto desse livro é muito mal explorado ao falarmos dessa questão.
Misery, uma obra de ficção, relata o sofrimento do escritor Paul Sheldon que sofre um acidente e é encontrado por Annie Wilkes uma ex-enfermeira que se denomina sua fã número um. Ela cuida de seus ferimentos, ou pelo menos deveria cuidar. No entanto, ela causa mais ferimentos no lugar de aliviá-los.
Logo, de cara, Paul Sheldon percebe que ela não bate bem da cabeça. Todavia, a coisa se acirra no momento em que ela faz duas descobertas a respeito do trabalho de Sheldon. Annie lê o texto original de  Carros Velozes, próxima obra a ser publicada. As impressões dela sobre o futuro livro foram as piores possíveis. Ela detesta os palavrões presentes na narrativa.  Annie também é fã de uma série de livros protagonizadas pela jovem Misery. Sheldon mata a personagem tão adorada por Annie, fazendo com que ela tenha um acesso de raiva.
Diante desses dois fatos, a ex-enfermeira torna-se violenta ao extremo, obrigando-o a escrever um novo livro. Além disso, a mulher destrói o manuscrito original de Carros Velozes. A narrativa desemboca em constantes torturas. A maioria das pessoas que leram o livro focaram-se nas ações descontroladas de Annie. Na realidade, acredito que nem seja a maioria, mas 100% dos leitores.
Embora a enfase seja dada a relação de torturadora e torturado, percebi que ninguém percebeu a outra face da violência presente no livro: uma violência mais sútil. Paul Sheldon sofre nas mãos de Annie, porém não deixa de ser uma espécie de vilão. As ações da carrasca me fizeram enxergar que o vitimado não era tão santo assim. Sheldon julga Wilkes enquanto leitora. Tal julgamento é estendido a todas leitoras de Misery. Ele classifica as fãs da Saga de Misery como pessoas sem cérebro que não sabem avaliar um bom livro. Por um bom tempo, Sheldon escreveu as histórias de Misery apenas pelo valor comercial, julgando suas páginas como péssima literatura. Nota-se que a saga desenvolveu-se apenas pela questão do dinheiro. Misery foi morta, porque ele pretendia escrever finalmente literatura de verdade, entretanto Annie representa todas as mulheres que rejeitariam boa literatura para ficar com as porcarias escritas anteriormente. No decorrer da trama, percebe-se um Sheldon bastante preconceituoso. Li algumas resenhas desse livro e muito me admira que as mulheres não se sentiram incomodas com o preconceito estampado na obra. Existe a versão cinematográfica do livro, todavia ela não explora a personalidade de Sheldon, mostrando apenas a face violenta da ex-enfermeira. Nesse sentido, o filme ficou bastante limitado.
Na relação de Sheldon e Wilkes, observamos o quanto um autor pode ser cruel com seus leitores. Sei que nesse relacionamento, frisou-se um certo machismo; mas nem por isso, deixamos de pensar no escritor que menospreza seus leitores independente de sexo. Ficou muito nítido essa face do autor que não escreve sobre o que gosta, mas traça enredos com a finalidade de angariar fortunas, subjugando seus leitores. Essa violência mais implícita me incomodou demais ao pensar que muitos autores realizam tal faceta em relação aos seus fãs.
Mesmo tendo essa carga de negatividade expressa por meio dos personagens da obra, Misery não deixa de ser uma leitura bem interessante. Ela confirma algo que sempre digo: Uma trama recheada de personagens odiosos pode render um excelente livro. Por esse motivo, recomendo veemente a leitura desse texto. Misery traduz as violências escancaradas e as escondidas. O estilo de King ao descrever os fatos é único. Confesso que em alguns momentos, sua escrita me gerava um certo cansaço, porém nunca deixava de ser interessante. Desejava acelerar para chegar ao fechamento do enredo.
Creio que é melhor parar por aqui. Caso desejem comprar o livro, cliquem aqui.
Assista à resenha em vídeo, clicando aqui.
Abraços e até a próxima postagem.

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